Moção de Repúdio apresentada pelo PT na Câmara condena violência do Hamas e de Israel e não fala em terrorismo
A nota condena o corte de água, luz e alimentos na Faixa de Gaza, pede a libertação de reféns inocentes e cobra a criação do Estado Palestino

A Moção de Repúdio da bancada do PT na Câmara dos Deputados sobre o conflito entre Israel e Palestina condena a violência do Hamas, mas não fala em terrorismo. O texto também condena a postura do governo israelense, classificada como violenta. "A Câmara repudia a violência do Hamas e do Estado de Israel, que resultou na morte de milhares de cidadãos e cidadãs, em território israelense e palestino, a maioria civis inocentes".
No documento, os parlamentares pedem a liberação de reféns inocentes e condenam o corte de suprimentos, por parte de Israel, na Faixa de Gaza. "Merece a condenação desta Casa o anunciado corte de água, energia, alimentos e medicamentos para a população em Gaza, medida extrema que agride cerca de dois milhões de pessoas, sem qualquer participação nos atos de violência. Todas as vidas merecem ser protegidas e ter sua dignidade preservada. Apelamos para que os inocentes reféns que estão na Faixa de Gaza sejam libertados incondicionalmente e ilesos", diz o texto.
Os petistas cobram ainda a criação do Estado Palestino. "A Câmara também lamenta a falta de empenho da comunidade internacional em fazer cumprir as várias resoluções da ONU, que asseguram, desde 1947, o direito dos palestinos a terem um Estado soberano, geograficamente coeso e economicamente viável, com capital em Jerusalém", afirmam os petistas na moção.
A nota é assinada pelo deputado federal Odair Cunha (PT-MG) e outros 52 congressistas. Ao todo bancadas e partidos protocolaram 17 moções que foram votadas simbolicamente e todas aprovadas.
Leia na íntegra a nota do PT, partido do governo:
"A Câmara do Deputados da República Federativa do Brasil expressa, em primeiro lugar, suas mais sinceras condolências às famílias e aos amigos de todas as vítimas israelenses, palestinas, brasileiras e de outras nacionalidades, diante do recente conflito na região. Em segundo lugar, a Câmara repudia a violência do Hamas e do Estado de Israel, que resultou na morte de milhares de cidadãos e cidadãs, em território israelense e palestino, a maioria civis inocentes.
A Câmara insta as Partes e a comunidade internacional a buscarem a paz, a ser alcançada de forma duradoura pelo reconhecimento de dois Estados para os dois povos.
Merece a condenação desta Casa o anunciado corte de água, energia, alimentos e medicamentos para a população em Gaza, medida extrema que agride cerca de dois milhões de pessoas, sem qualquer participação nos atos de violência. Todas as vidas merecem ser protegidas e ter sua dignidade preservada.
Apelamos para que os inocentes reféns que estão na Faixa de Gaza sejam libertados incondicionalmente e ilesos.
A Câmara também lamenta a falta de empenho da comunidade internacional em fazer cumprir as várias resoluções da ONU, que asseguram, desde 1947, o direito dos palestinos a terem um Estado soberano, geograficamente coeso e economicamente viável, com capital em Jerusalém.
No Brasil, as comunidades israelenses e árabes convivem de forma harmoniosa e o nosso país apoia, historicamente, a solução advinda da criação e reconhecimento dos dois Estados, para solução do conflito entre Israel e Palestina, pela qual ambos os países conviveriam com fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas.
Essa não é uma posição de governos específicos. É uma posição do Estado brasileiro, que, desde os tempos de Oswaldo Aranha, se empenha pela negociação pacífica do conflito, única saída viável para uma paz duradoura na região.
Ante o impasse de décadas, com a política expansionista de ocupação do território palestino pelo Estado de Israel e pelo abandono do Acordo de Oslo, a violência é um caminho incompatível com a tradição diplomática histórica de nosso país.
A Câmara enfatiza que a pronta retomada das negociações de paz é, nesse momento crítico, mais necessária do que nunca, para evitar o aumento do número de vítimas inocentes e o alastramento do conflito, numa região de extrema sensibilidade geopolítica.
A solução haverá de ser alcançada pelos caminhos da proteção da vida e da paz, jamais pela perpetuação da violência. É essa a responsabilidade que envolve as instituições e a comunidade internacional.
Por isso, instamos as Partes responsáveis e racionais do conflito a retornarem urgentemente à mesa de negociações e a perseguirem um cessar-fogo imediato. A pior paz é melhor que qualquer guerra".
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



