Ministro defende continuidade das obras em usina nuclear que já duram 40 anos
Em audiência na Câmara dos Deputados, Alexandre Silveira (Minas e Energia) disse que fará defesa ‘intransigente’ para a conclusão da usina nuclear de Angra 3, que começou em 1981

O Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu nesta terça-feira (13) a continuidade das obras para conclusão da usina nuclear de Angra 3, no litoral do Rio de Janeiro. A construção começou em 1981 e, entre paralisações e retomadas, segue incompleta até hoje. A estimativa é que, até hoje, o governo brasileiro já gastou quase R$ 8 bilhões na obra.
Ainda de acordo com o ministro, a posição da pasta na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que irá decidir sobre o futuro das obras será de uma ‘defesa intransigente’ para os investimentos na região.
“Nós estamos tendo a prudência de esperar os estudos do BNDES, mas a minha [posição], eu já adiantei para o ministro Rui [Costa, da Casa Civil], o ministro de Minas e Energia do Brasil, que vai ter que submeter isso ao CNPE, que é um fórum qualificado de 16 ministros do Estado, vai levar ao CNPE a defesa intransigente da continuidade da obra de Angra 3. Nós precisamos assimilar, infelizmente, os custos que tiveram ali, a paralisação dessa obra, mas precisamos concluí-la”, justificou Silveira.
Histórico de paralisações
A usina nuclear de Angra 3 faz parte do complexo Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, onde funcionam outras duas usinas em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. As obras na usina começaram na década de 1980, foram paralisadas em 1984 e, após breve retomada em 2009, foram novamente paralisadas em 2015 por falta de dinheiro.
Com potência de 1.405 megawatts, a nova unidade será capaz de gerar mais de 12 milhões de megawatts-hora por ano, o suficiente para atender 4,5 milhões de pessoas, segundo a empresa Eletronuclear - responsável pela administração do complexo de Angra.
O montante investido até agora é de R$ 7,8 bilhões e para concluir a usina serão necessários cerca de R$ 20 bilhões - 65% da obra já foi concluída, que foi incluída pelo governo no Novo PAC e tem previsão de entrar em operação em 2028.
Embora a Eletrobras - privatizada em 2021- tenha a obrigação de realizar investimentos para conclusão das obras, a empresa já sinalizou não ter interesse na continuidade do projeto.
Os recursos para a conclusão da obra foram incluídos pelo governo no Novo PAC e a previsão é que a operação na usina comece em 2028.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



