Ministro acusa Israel de criar cortina de fumaça para abafar massacre de palestinos em Gaza
Mauro Vieira, chefe das Relações Internacionais, acusa o chanceler isralense de distorcer palavras de Lula e omitir a real gravidade dos ataques promovidos pelo exército

Após declarar o presidente Lula como ‘persona non grata’ e continuar emitindo declarações de desagravo contra o Brasil após as críticas e a comparação com Hitler, feita pelo brasileiro, o governo israelense recebeu uma dura resposta do chanceler brasileiro, Mauro Vieira. Em entrevista, o ministro das Relações Exteriores classificou como “insólito e revoltante” a forma como Israel Katz, chanceler israelense, se referiu a Lula. Além disso, acusou o país de produzir uma ‘cortina de fumaça’ para abafar os ataques do exército contra o povo palestino, na Faixa de Gaza.
“Uma Chancelaria dirigir-se dessa forma a um Chefe de Estado, de um país amigo, o Presidente Lula, é algo insólito e revoltante. Uma Chancelaria recorrer sistematicamente à distorção de declarações e a mentiras é ofensivo e grave. É uma vergonhosa página da história da diplomacia de Israel, com recurso a linguagem chula e irresponsável”, disse o ministro no Rio de Janeiro. A cidade recebe, entre quarta e quinta-feira (22), a reunião de chanceleres do G20.
Ao longo de terça-feira, tanto o chanceler Katz quanto os perfis governamentais de Israel nas redes sociais continuaram repercutindo as acusações feitas pelo presidente Lula de que o país estaria promovendo um genocídio contra o povo palestino. Em uma das postagens no X (antigo Twitter), o perfil oficial do governo israelense chegou a acusar Lula de negar o Holocausto, o que não é verdade.
Em resposta, Vieira explicou que a intenção dos israelenses é impor uma ‘cortina de fumaça’, afim de abafar o ‘massacre’ em curso em Gaza. “Isso [o massacre] tem levado ao crescente isolamento internacional do governo Netanyahu, fato refletido nas deliberações em andamento na Corte Internacional de Justiça. É este isolamento que o titular da chancelaria israelense tenta esconder. Não entraremos nesse jogo. E não deixaremos de lutar pela proteção das vidas inocentes em risco”, explicou.
Na última atualização feita pelo Ministério da Saúde do Hamas - grupo que controla a faixa de Gaza e que promoveu os ataques terroristas em Israel que desencadearam o conflito, em outubro de 2023 -, quase 30 mil palestinos já morreram vítimas dos ataques de Israel. Os números não podem ser checados de forma independente.
Relembre o que Lula disse
Em entrevista coletiva durante viagem oficial à Etiópia, o presidente brasileiro classificou as mortes de civis em Gaza como ‘genocídio’, e criticou países desenvolvidos por suspenderem ajuda humanitária na região. Segundo Lula, “o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, comparou.
A frase foi o estopim para o governo israelense, que considerou injusta a comparação com o líder autoritário alemão responsável pelo Holocausto, quando mais de 6 milhões de judeus foram mortos.
A declaração gerou fortes reações do governo israelense. O primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, disse que a fala “banaliza o Holocausto e tenta prejudicar o povo judeu e o direito de Israel se defender”.
Oficialmente, o Brasil defende um cessar-fogo imediato e a negociação para que os reféns mantidos pela Hamas sejam libertados. O país também é defensor da criação de um estado palestino.
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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



