Itatiaia

Minas Gerais é o segundo estado que mais ampliou empregos formais desde 2023

Estado ganhou 1,29 milhão de vínculos formais em três anos; avanço coloca Minas atrás apenas de São Paulo em números absolutos. No Brasil, estoque de empregos formais chegou a 62,9 milhões

Por
Minas Gerais é o segundo estado que mais ampliou empregos formais desde 2023 • Marcelo Camargo | Agência Brasil

O mercado de trabalho formal brasileiro ganhou 10,1 milhões de vínculos entre janeiro de 2023 e junho de 2026, segundo a nova RAIS Mensal do Ministério do Trabalho e Emprego. O estoque passou de 52,79 milhões para 62,89 milhões de vínculos, um crescimento de aproximadamente 19,1% em três anos e meio. E Minas Gerais aparece entre os principais responsáveis por esse avanço.

Mas é preciso separar os números do gráfico: Minas chegou a 6.803.275 vínculos em junho de 2026, contra 5.013.204, portanto, a variação deve ser lida diretamente da série oficial. O dado consolidado apresentado pelo Ministério para Minas Gerais é de 1,29 milhão de novos vínculos no período, colocando o estado em segundo lugar no país em crescimento absoluto, atrás somente de São Paulo. O Rio de Janeiro aparece em seguida.

Em todo o Brasil, o estoque chegou a 62.891.209 vínculos formais em junho. Desse total, 48.150.488 eram empregos de trabalhadores contratados pela CLT e 14.311.711 vínculos de agentes públicos.

Minas está entre os estados que mais ampliaram o mercado formal

O ranking em números absolutos mostra a força econômica do Sudeste na expansão do emprego. São Paulo lidera, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. A posição de Minas é relevante porque o estado aparece com um dos maiores acréscimos absolutos de vínculos do país.

Mas há uma informação importante: crescimento absoluto e crescimento proporcional contam histórias diferentes. O Sudeste foi a região que mais acrescentou vínculos em quantidade, com 3,77 milhões. Já quando se olha para a velocidade de crescimento, o destaque está em outras regiões: o Norte avançou 34,7%, o Centro-Oeste, 28,6%, e o Nordeste, 27,6%. O Sudeste cresceu 14,6%. Ou seja: Minas está entre os gigantes em geração absoluta de vínculos, mas não entre os estados que mais cresceram proporcionalmente.

Serviços foram o grande motor do emprego

O setor que mais puxou a expansão brasileira foi Serviços. O estoque passou de 29,81 milhões de vínculos em janeiro de 2023 para 38,26 milhões em junho de 2026. Isso representa aproximadamente 8,45 milhões de vínculos a mais e crescimento de 28,3%. Com isso, Serviços aumentou sua participação no mercado formal de 56,5% para 60,8%.

Dentro desse grande grupo, uma das maiores concentrações está em administração pública, defesa, seguridade social, educação e outras atividades sociais, cujo estoque passou de 14,34 milhões para 20,37 milhões de vínculos. Também houve avanço expressivo nas atividades de informação, comunicação, finanças, atividades imobiliárias, profissionais e administrativas, que passaram de 9,38 milhões para 10,88 milhões.

O cenário nos demais setores foi:

  • Comércio: de 10,20 milhões para 10,54 milhões;
  • Indústria: de 8,32 milhões para 9,15 milhões;
  • Construção: de 2,69 milhões para 3,04 milhões;
  • Agropecuária: de 1,77 milhão para 1,86 milhão.

Portanto, apesar de o comércio, a indústria e a construção também terem avançado, o setor de serviços responde pela maior parte da expansão do estoque formal.

Emprego público também teve forte crescimento

Outro ponto que merece atenção é o crescimento dos vínculos de agentes públicos. O estoque passou de 9,25 milhões em janeiro de 2023 para 14,31 milhões em junho de 2026. O próprio Ministério destaca que esse aumento foi fortemente influenciado pelo avanço dos empregos por tempo determinado, que cresceram 3,99 milhões no período.

Um dado importante da pesquisa é a diferença de crescimento entre homens e mulheres. Entre janeiro de 2023 e junho de 2026, o estoque de vínculos ocupados por mulheres cresceu 5,84 milhões, enquanto entre os homens o aumento foi de 4,26 milhões. O estoque feminino passou de 23,35 milhões para 29,18 milhões. Entre os homens, foi de 29,44 milhões para 33,71 milhões. Isso significa que, no período analisado, o crescimento dos vínculos femininos foi superior ao masculino.

Mercado formal cresce mais entre trabalhadores experientes

O crescimento do emprego formal foi muito mais intenso entre trabalhadores com 40 anos ou mais. Na faixa de 40 a 49 anos, o aumento foi de 23,5%. Entre 50 e 64 anos, chegou a 34,7%. E entre trabalhadores com 65 anos ou mais, o crescimento foi de impressionantes 73,6%. O estoque passou de cerca de 994 mil para 1,73 milhão de vínculos. Em comparação, o grupo de 14 a 24 anos cresceu 13,5%; de 25 a 29 anos, 9,1%; e de 30 a 39 anos, 9,4%. O crescimento do emprego formal no período não foi concentrado nos mais jovens. As maiores taxas estão justamente entre os trabalhadores mais experientes.

A escolaridade também aparece como um fator importante nessa transformação. O grupo com ensino médio completo é o maior entre os trabalhadores formais e chegou a 33,7 milhões de vínculos em junho de 2026, contra 28 milhões no início de 2023. O crescimento foi de 20,3%.

Os vínculos de pessoas com ensino superior incompleto cresceram 16,9%. Já o estoque de trabalhadores com ensino superior completo chegou a 12,15 milhões. E um ponto interessante na apresentação do Ministério, porém, está entre trabalhadores com pós-graduação até doutorado: o estoque passou de um patamar muito menor para 3,06 milhões, com crescimento indicado de 398,9%.

Crescimento entre trabalhadores pretos e pardos

A RAIS também mostra uma forte expansão dos vínculos declarados de trabalhadores pretos e pardos. Entre os trabalhadores pardos, o estoque passou de 14,52 milhões para 27,34 milhões, enquanto entre os trabalhadores pretos passou de 2,52 milhões para 4,66 milhões. Somados, pretos e pardos tiveram aumento de aproximadamente 14,97 milhões de vínculos, segundo a apresentação do Ministério. Entre os trabalhadores brancos, o estoque passou de 18,14 milhões para 26,88 milhões.

E quanto o trabalhador formal ganha?

A nova RAIS Mensal também acompanha a remuneração. Em junho de 2026, o rendimento médio dos empregados ficou em R$ 4.389,49, segundo a apresentação do Ministério do Trabalho. O gráfico mostra uma trajetória relativamente estável ao longo do primeiro semestre, partindo de R$ 4.384,07 em janeiro e chegando ao valor de junho. Ou seja, o aumento do estoque de empregos veio acompanhado de uma remuneração média que, no primeiro semestre, permaneceu na faixa de R$ 4,4 mil.

A fotografia apresentada pela RAIS Mensal é de um mercado formal maior e mais diversificado do que no início de 2023. O país saiu de 52,79 milhões para 62,89 milhões de vínculos formais, um acréscimo de pouco mais de 10,1 milhões.

Por

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

Belo Horizonte