Mauro Cid diz que ordem para falsificar cartão de vacina partiu de Bolsonaro
Indiciamento de Bolsonaro e Cid no caso expõe versões diferentes de ambos sobre plano para inserir informações falsas sobre a imunização contra covid-19 no sistema do SUS

Indiciados pela Polícia Federal pelo caso dos falsos cartões de vacina que comprovariam a imunização contra a covid-19, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cid, tem versões diferentes sobre o ocorrido. Enquanto Cid alega que agiu por ordens de Bolsonaro, o ex-presidente alega que Cid agiu por conta própria.
A investigação concluída pela Polícia Federal revela que Cid encaminhou o pedido para que a vacinação fosse forjada ao ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros - que também foi indiciado.
Ailton, por sua vez, enviava os dados ao secretário de Governo de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa Brecha - também indiciado -, que por sua vez, usava as senhas para inserir os dados falsos no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), do Ministério da Saúde.
O primeiro pedido foi para que Ailton conseguisse a falsificação da mulher e da filha adolescente de Cid, que não haviam se imunizado contra a covid-19. Na sequência, segundo consta na delação premiada de Mauro Cid à Polícia Federal, o ex-ajudante de ordens do presidente teria recebido a ordem de Bolsonaro para que ele e a filha Laura, com 12 anos à época, também conseguissem ter os dados inseridos no sistema no mesmo esquema.
"QUE confirma que recebeu a ordem do ex-Presidente da República, JAIR BOLSONARO, para fazer as inserções dos dados falsos no nome dele e da filha [...]; QUE esses certificados foram impressos e entregues em mãos ao presidente", diz o trecho da delação de Cid feita à Polícia Federal.
A investigação da PF aponta que o esquema beneficiou o entorno do ex-presidente que o acompanhou na viagem de dezembro de 2022 aos Estados Unidos, utilizada como pretexto para que Bolsonaro não participasse da cerimônia de entrega da faixa presidencial para Lula, que o derrotou nas eleições daquele ano.
“Com isso [falsificação], tais pessoas puderam emitir os respectivos certificados de vacinação e utilizá-los para burlarem as restrições sanitárias vigentes imposta pelos poderes públicos (Brasil e Estados Unidos) destinadas a impedir a propagação de doença contagiosa, no caso a pandemia de covid-19”, diz o trecho do relatório da Polícia Federal.
- Gabriela Santiago Cid (esposa da Mauro Cid)
- Gutemberg Reis de Oliveira, deputado federal (MDB-RJ);
- Luis Marcos dos Reis (sargento do Exército)
- Farley Vinicius Alcântara (médico responsável pelo cartão falso de vacina)
- Eduardo Crespo Alves (militar)
- Ailton Gonçalves Barros (ex-major do Exército)
- Camila Paulino Alves Soares (enfermeira da prefeitura de Duque de Caxias)
- João Carlos de Sousa Brecha (ex- secretário de Governo de Duque de Caxias)
- Marcelo Costa Câmara (assessor especial de Bolsonaro)
- Max Guilherme Machado de Moura (assessor e segurança de Bolsonaro)
- Sergio Rocha Cordeiro (assessor e segurança de Bolsonaro)
- Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva (servidora de Duque de Caxias)
- Célia Serrano da Silva
- Marcelo Fernandes Holanda
- Paulo Sérgio da Costa Ferreira
O ex-presidente foi indiciado pela PF pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações no caso que apura a falsificação de certificados de vacinas da Covid-19. Ambos os delitos estão previstos no Código Penal e a pena máxima para os dois crimes somados é de 15 anos de prisão.
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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



