Lula isenta Petrobras por preço da gasolina e diz que ‘povo precisa saber quem xingar’
Presidente também culpou estados e distribuidoras pelo preço cobrado nas bombas; o povo é assaltado pelo intermediário e a conta fica nas costas do governo’, afirmou

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a Petrobras e criticou as pessoas que ‘xingam’ a empresa em razão do preço dos combustíveis. Segundo Lula, por falta de informação, o povo não sabe a quem cobrar, o que faz com que a conta dos aumentos caia sobre a empresa e também sobre o governo federal. A fala ocorreu durante o anúncio de novos investimentos da estatal na indústria naval brasileira, realizado nesta segunda-feira (17) em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
“O povo brasileiro não tem as informações necessárias para que ele possa fazer juízo de valor. Então, quando sai um anúncio do diesel, da gasolina ou do gás, a Petrobras leva a fama, o governo federal leva a fama e, muitas vezes, a Petrobras não tem culpa nenhuma”, disse o presidente.
Na sequência, Lula afirmou que o preço da gasolina cobrado pelas distribuidoras é praticamente o dobro do valor vendido pela Petrobras. Ele defendeu que a empresa passe a ser a revendedora direta de seus produtos, ignorando as distribuidoras.
“O povo não sabe que a gasolina sai da Petrobras a R$ 3,04 e que, na bomba, ela é vendida a R$ 6,49. Ou seja, ela é vendida pelo dobro do que sai da Petrobras, mas, quando sai o aumento, o povo pensa que é a Petrobras que anunciou”, completou.
Estados levam a culpa
Lula também apontou a parcela de culpa no preço dos combustíveis aos estados - responsáveis pela arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
O preço dos combustíveis, assim como o dos alimentos, é outra preocupação monitorada pela equipe de Lula, que tenta reverter, o mais breve possível, sua queda de popularidade, conforme revelado em pesquisas na última semana.
A avaliação é que, para se manter competitivo na tentativa de reeleição em 2026, Lula precisa dar uma resposta para o aumento de preços que ocorrem em razão de problemas externos e internos.
Ameaça de privatização
O discurso feito diante de ministros, sindicalistas, funcionários da Petrobras e autoridades locais também foi marcado por críticas à ideia de privatização da estatal - algo que chegou a estar no radar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Com críticas ao processo de privatização, Lula disse que a venda da estatal é uma possibilidade caso a presidência saia de suas mãos.
“A depender de quem governa esse país, a Petrobras não é levada a sério e vai ser privatizada toda vez que o povo votar errado”.
Crítico da medida, Lula defendeu que a venda da empresa não traria benefícios para a população brasileira e citou exemplos de privatizações como as da mineradora Vale e da Eletrobrás.
A ideia era defendida pelo ministro da Economia do então presidente Jair Bolsonaro, Paulo Guedes. Durante as eleições de 2022, Guedes chegou a confirmar que, caso Bolsonaro fosse reeleito, a empresa seria privatizada em seu novo mandato.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



