Lula fala em ‘guerra’ contra garimpeiros e faz balanço de atuação do governo em terra Yanomami
Presidente se reúne nesta terça-feira com ministros e autoridades para tratar sobre um novo plano de ação no território indigena que é alvo de disputa com garimpeiros financiados pelo crime organizado

O presidente Lula definiu como ‘guerra’ o embate do governo com os garimpeiros que ocupam ilegalmente terras indígenas no território Yanomami, no estado de Roraima. Nesta terça-feira (09), o presidente esteve reunido com 12 ministros, além de autoridades, para fazer um balanço das ações no território em 2023 e definir um novo calendário de medidas a serem adotadas neste ano.
A intenção do encontro realizado nesta terça é fazer um balanço das ações no local no último ano e também discutir os próximos passos para a assistência aos indígenas, como havia sido determinado pela Justiça Federal de Roraima no ano passado.
De acordo com o presidente, o atendimento humanitário e a expulsão dos garimpeiros serão assunto tratados como prioridade em 2024. “A gente vai decidir tratar a questão de Roraima, questão indígena, dos Yanomami, como uma questão de Estado. A gente vai ter que fazer um esforço ainda maior, utilizar todo o poder que a máquina pública pode ter, porque não é possível que a gente possa perder uma guerra para garimpo ilegal, para madeireiro ilegal, para pessoas que estão fazendo coisas contra o que a lei determina”, declarou Lula.
Conforme o último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, foram notificadas 308 mortes de indígenas no território em 2023 - grande parte por doenças como malária, desnutrição grave e doenças associadas à fome, como diarreia e pneumonia. Neste mês de janeiro, no próximo dia 20, se completa um ano desde que foi decretado estado de emergência da saúde pública na terra Yanomami.
Escalada da crise
O problema enfrentado pelo governo e pelo povo Yanomami é recorrente desde que as ações tiveram início em 2023. Segundo relato do MPF que embasou a decisão judicial, a resiliência e alta capacidade dos garimpeiros da região tem sido um desafio para as autoridades.
“Anotou-se que o garimpo é um empreendimento criminoso de grande resiliência e de alta capacidade de reorganização, exigindo, pois, o aperfeiçoamento constante das estratégias de comando e controle”, destacou o procurador da República responsável pelo caso, Alisson Marugal.
Segundo consta na ação, a atividade irregular provavelmente possui ligação com organizações criminosas que dão suporte logístico, financeiro e de armamentos para que os garimpeiros sigam enfrentando os agentes estatais. O pedido do Ministério Público Federal é para que o plano de ações fosse totalmente revisto.
A decisão judicial aponta que não foram adotadas medidas satisfatórias para o monitoramento eficaz da Terra Indígena Yanomami e não há um planejamento interinstitucional de caráter permanente para garantir a segurança, a saúde e a vida dos povos locais e dos profissionais de saúde que atuam no território. Na avaliação da Justiça Federal em Roraima, o Estado brasileiro permanece em mora perante os povos indígenas, que deveriam ser protegidos efetivamente mediante o cumprimento das obrigações de fazer decorrentes da liminar concedida na ação civil pública.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



