Lula e Alcolumbre selam reaproximação em visita à Margem Equatorial
Agenda no Amapá une articulação política e pressão por exploração de petróleo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cumprem nesta segunda-feira (17) uma agenda conjunta no Amapá, em um movimento que reforça a reaproximação política entre os dois. Eles visitam um navio-sonda da Petrobras que atua na exploração de petróleo na Margem Equatorial, na costa do estado.
A viagem ocorre três dias depois de a Petrobras anunciar a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas. Segundo a estatal, o poço fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas, com lâmina d'água de 2.886 metros.
A Petrobras informou que a presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de perfis elétricos e outros indicadores geológicos. A perfuração continua para aprofundar a avaliação da área. A companhia ainda precisa concluir estudos e testes para determinar o tamanho, a qualidade e a viabilidade comercial da ocorrência.
Apesar de a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já ter afirmado que a estatal encontrou petróleo na região, a empresa ainda precisa avançar na avaliação exploratória para confirmar o potencial comercial da área. A estimativa é que o Amapá possa começar a produzir petróleo em águas ultraprofundas dentro de seis a sete anos, caso as próximas etapas confirmem a viabilidade da exploração.
A visita também tem dimensão política e reforça publicamente a reaproximação entre Lula e Alcolumbre. Os dois haviam se afastado depois de uma série de divergências entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado, especialmente após a rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Nas últimas semanas, porém, Lula e Alcolumbre voltaram a se reunir e reconstruíram o diálogo. O senador chegou a afirmar a aliados que houve uma “retomada integral” da relação com o presidente.
A aproximação ocorre às vésperas das eleições e em um momento de negociações sobre pautas de interesse do governo no Congresso. Alcolumbre é uma das principais lideranças do Legislativo e articula apoio político para permanecer no comando do Senado em 2027. Entre os temas que podem avançar está a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6 por 1.
Além da articulação nacional, a viagem de Lula ao Amapá tem impacto direto na política local. O presidente estará acompanhado do governador Clécio Luís (União Brasil), candidato à reeleição. A perspectiva de exploração de petróleo na região já passou a integrar o debate eleitoral no estado e aumentou a pressão por investimentos em infraestrutura e desenvolvimento econômico.
A agenda também está relacionada à estratégia da Petrobras de ampliar a exploração na Margem Equatorial, considerada pela companhia uma nova fronteira para a produção de petróleo e gás. O objetivo é ampliar e recompor as reservas da estatal diante da perspectiva de queda da produção de áreas mais maduras no futuro.
A identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho é, portanto, um passo importante, mas ainda não representa a confirmação de uma nova reserva comercial de petróleo. A Petrobras terá de concluir a avaliação da descoberta e avançar em novas etapas exploratórias antes de definir o tamanho da ocorrência e eventual projeto de produção.
A exploração na região também é alvo de debate ambiental. A perfuração do poço Morpho foi autorizada pelo Ibama em outubro de 2025, após um processo de licenciamento. A Petrobras afirma que as operações seguem protocolos de segurança e monitoramento ambiental. A estatal prevê ainda novas perfurações na Bacia da Foz do Amazonas, que dependem de autorizações ambientais.
A expectativa da companhia é que os próximos poços ajudem a determinar o potencial da região. Se os resultados confirmarem uma descoberta de escala comercial, o Amapá poderá entrar, nos próximos anos, no mapa da produção brasileira de petróleo.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



