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Lula diz que relação com Trump estará acima de diferenças pessoais e cobra respeito se for reeleito

Segundo o presidente, o Brasil está preparado para eventuais tensões diplomáticas, mas considera que tem uma 'boa relação' com o presidente americano

Por, Brasília
Presidentes Trump e Lula
Presidentes Trump e Lula se encontraram nesta terça-feira (7) • Ricardo Stuckert / PR.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que mantém uma “boa relação” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e, se for reeleito, espera que o norte-americano respeite o resultado das urnas, a escolha para a presidência e a soberania brasileira. Em entrevista concedida a um conjunto de podcasts, nesta quarta-feira (30), Lula também afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar eventuais tensões diplomáticas caso líderes estrangeiros questionem o resultado da eleição presidencial.

Para o presidente, diferenças pessoais não devem interferir na relação institucional entre os dois países. Lula afirmou ainda que as relações entre chefes de Estado devem ser orientadas pelos interesses dos países e não pela afinidade entre os governantes.

“Ele não precisa gostar de mim ou não. Eu vou ser eleito pelo povo brasileiro, só tem que ter uma relação civilizada, uma relação que respeite a soberania do Brasil. Não faço nenhuma questão que alguém goste de mim pessoalmente. O que faço questão é que me respeite como presidente do Brasil e respeite os interesses do Brasil, porque eu vou sempre respeitar eles e vou respeitar os interesses deles”, declarou.

Segundo o petista, uma “boa relação internacional” deve funcionar como um “jogo de mão dupla”, com ganhos para os dois lados. Brasil e Estados Unidos mantêm atualmente negociações comerciais sobre o tarifaço americano aplicado a produtos brasileiros com a alegação de que as relações estão "desiguais". Em agosto, os governos retomaram formalmente o diálogo sobre o tema após conversas entre Lula e Trump.

Interferência das eleições

Ao comentar a possibilidade de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, Lula disse já ter tratado diretamente do assunto com Trump.

“Eu disse pro Trump: não se meta nas eleições que você vai perder as eleições. É melhor você perder sem se meter, porque se perder você vai ficar chateado. E vamos jogar. Está chegando no final do jogo”, afirmou.

O presidente também afirmou que procura manter diálogo com diferentes governos, independentemente da orientação política, e que adota o mesmo tom nas conversas por considerar que representa os interesses brasileiros.

Lula defende a conquista do respeito ao Brasil pela comunidade internacional

Na entrevista, o presidente também afirmou que o Brasil vive o seu “melhor momento internacional” e associou a projeção do país à postura adotada nas relações com outras nações. Segundo ele, o país conseguiu abandonar o que chamou de “complexo de vira-lata”, expressão usada pelo presidente para descrever uma postura de dependência, especialmente econômica, de países mais ricos.

“O Brasil passou a ser muito mais respeitado politicamente e economicamente no mundo. Se você agir de cabeça erguida, você não vai ter problema. Eu aprendi a não baixar a cabeça. Não sou prepotente, sou respeitoso e quero que as pessoas me respeitem”, disse.

Lula explicou, por meio de movimentos, como houve uma mudança na posição brasileira no cenário internacional.  Como exemplo, mencionou a mudança da posição financeira brasileira em relação ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a formação das reservas internacionais do país.

O Brasil quitou antecipadamente sua dívida com o Fundo em 2005 e, anos depois, passou à condição de credor. Em 2009, anunciou a intenção de investir até US$ 10 bilhões em notas emitidas pelo FMI, acordo formalizado em 2010.

As reservas internacionais, por sua vez, funcionam como um “colchão de segurança” para o país enfrentar obrigações externas e choques internacionais, segundo o Banco Central (BC).

Para Lula, isso importa diante da postura que pretende manter nas relações com outros chefes de Estado, incluindo Trump.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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