Brasil e EUA retomam negociação para tentar reduzir impacto do tarifaço
Brasil tenta ampliar lista de produtos livres das tarifas impostas por Trump em nova rodada de negociações nesta segunda-feira

Brasil e Estados Unidos retomam nesta segunda-feira (31) as negociações sobre as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. O encontro será realizado por videoconferência e marca a primeira rodada técnica formal desde a conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, em 21 de agosto.
A reunião terá a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também é esperado nas conversas.
O principal objetivo do governo brasileiro neste primeiro momento é ampliar a lista de produtos brasileiros que ficaram fora das sobretaxas americanas. A estratégia é buscar flexibilizações por setores antes de tentar negociar uma retirada mais ampla das tarifas.
As tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos podem chegar a 37,5% sobre determinados produtos brasileiros. O percentual resulta da combinação de sobretaxas com justificativas diferentes apresentadas pelo governo americano.
Parte das mercadorias, porém, ficou fora da cobrança. O governo brasileiro pretende ampliar essas exceções e proteger setores considerados estratégicos para as exportações nacionais.
Apesar da retomada das conversas, a expectativa do governo brasileiro é de uma negociação difícil e sem resultados imediatos. Nos bastidores, a preocupação do Palácio do Planalto é de que as tarifas se tornem permanentes e, por isso, é importante manter o canal de diálogo aberto com Washington. O governo também pretende evitar medidas que possam ampliar o conflito comercial.
Brasília, no entanto, mantém críticas às justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para as tarifas. Entre os argumentos utilizados pelo governo Trump estão questões relacionadas ao comércio digital, ao Pix, ao mercado de etanol, ao desmatamento e ao combate ao trabalho forçado.
O governo brasileiro afirma que não concorda com essas acusações e já acionou a Lei de Reciprocidade Econômica como instrumento de resposta às medidas americanas. Ainda assim, a orientação é priorizar a negociação.
A reunião desta segunda-feira deve ser apenas o primeiro passo de uma nova rodada de conversas. A expectativa é que representantes dos dois países mantenham reuniões técnicas nas próximas semanas para discutir produtos, setores e possíveis exceções.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



