O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se manifestar nesta sexta-feira (4) sobre a crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) e cobrou uma solução para o impasse envolvendo a Corte. Antes de participarem de uma cerimônia no Palácio do Planalto, Lula conversou reservadamente com o presidente do STF, ministro Edson Fachin. Os dois já haviam tratado do assunto na última terça-feira (1º). A informação foi confirmada pela CNN.
Durante o evento, Fachin adotou um discurso contundente ao afirmar que o Supremo dará uma resposta institucional "firme, proporcional e rigorosa" aos episódios que colocaram em evidência a tensão entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Sem citar diretamente os colegas, o presidente da Corte reforçou que nenhuma autoridade está acima da Constituição e que nenhum interesse pode prevalecer sobre a defesa do Estado Democrático de Direito.
Na sequência, Lula reforçou o discurso em defesa das instituições e destacou que agentes públicos não podem utilizar os cargos que ocupam em benefício próprio: "Ninguém pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Isso vale para o presidente, para o catador de material reciclável, para uma médica. Todo mundo deve estar subordinado aos mesmos trâmites da Constituição", afirmou.
O presidente também aproveitou o discurso para cobrar uma saída para a crise. Diante de Fachin e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, Lula defendeu que os órgãos responsáveis conduzam o processo de forma a restabelecer a normalidade institucional no Supremo.
A manifestação foi dada em meio ao agravamento da crise interna no STF, que ganhou novos contornos após os recentes desdobramentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. O episódio elevou a tensão entre integrantes da Corte e mobilizou os chefes dos Poderes em torno da busca por uma resposta institucional capaz de preservar a estabilidade do Judiciário.
A fala conjunta de Lula e Fachin sinaliza um alinhamento entre o Palácio do Planalto e a presidência do Supremo na defesa da Constituição e do funcionamento das instituições, ao mesmo tempo em que aumenta a expectativa sobre as próximas medidas que deverão ser adotadas para enfrentar a crise.