Líder da oposição no Senado quer pressionar por anistia na semana que vem
Em entrevista à Itatiaia, Rogério Marinho afirmou que fuga de Bolsonaro era um crime impossível, e criticou a prisão preventiva do ex-presidente
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, disse que os parlamentares bolsonaristas devem pressionar pela votação da anistia aos condenados por tentativa de golpe na próxima semana. Em entrevista à Itatiaia, após a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), neste sábado (22), o senador afirmou que o grupo não vai ficar inerte e que os trabalhos começam a partir de segunda-feira.
Marinho questionou a prisão de Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob o pretexto de uma tentativa de fuga. Segundo o parlamentar, fugir era impossível para o ex-presidente, uma vez que é cercado por policiais e tem a saúde debilitada.
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“O que se acusa o presidente é de um crime impossível. Eu fui visitá-lo e tem um carro de polícia na frente da sua porta, no fundo da sua casa, outro que filma quem entra e quem sai. Ele tentou romper a tornozeleira? Ele tem mais de 70 anos de idade, tem comorbidades, não é nenhum atleta, como poderia fugir? É uma impossibilidade”, disse Marinho.
O líder da oposição também reclamou da justificativa de Moraes sobre o risco que uma vigília de orações, convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), apresentava para uma possível fuga. “A Constituição garante o direito à reunião e garante a liberdade religiosa. Não tem sentido o que foi colocado pelo ministro”, emendou.
Marinho também afirmou que a prisão do ex-presidente em um sábado, com o Congresso Nacional desmobilizado, é uma conduta atípica do Supremo. Ele acusa o Judiciário de não permitir o duplo grau de jurisdição para Bolsonaro e diz que a 1º Turma é uma “verdadeira Câmara de Gás”.
“Vamos aumentar os esforços para a anistia, apesar de acharmos que não houve crime, mas é o remédio que a política nos apresenta. Há um projeto para ser votado, e isso tem sido interditado pelo outro Poder, uma interferência do Supremo impedindo a votação desse projetos. Já que o presidente foi preso, espero que na próxima semana a gente possa votar a anistia”, completou.
Bolsonaro preso preventivamente
Segundo a decisão de Moraes, a prisão preventiva foi decretada porque Jair Bolsonaro descumpriu as medidas cautelares da prisão domiciliar. O despacho afirma que a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) na frente do condomínio do pai, era um pretexto para causar desordem pública e facilitar uma fuga.
De acordo com informações do Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal, o ex-presidente também tentou romper a tornozeleira eletrônica por volta das 00h deste sábado.
“A informação consta da intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”, disse Moraes.
“Apesar de afirmar a “existência de gravíssimos indícios da eventual fuga”, o fato é que o ex-Presidente foi preso em sua casa, com tornozeleira eletrônica e sendo vigiado pelas autoridades policiais. Além disso, o estado de saúde de Jair Bolsonaro é delicado e sua prisão pode colocar sua vida em risco”, disseram os advogados.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.




