Governo vai ouvir setor produtivo antes de decidir sobre reciprocidade aos EUA
Antes de definir uma eventual resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o governo federal pretende consultar empresários dos setores mais afetados e avaliar os impactos econômicos da medida

O governo federal iniciou consultas com diversos setores produtivos para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos. A medida ocorre após a imposição de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.
As conversas com as áreas econômicas mais impactadas pela taxação serão conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). Após as reuniões com empresários, o Palácio do Planalto deve decidir se avança ou não com medidas tarifárias recíprocas.
A Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no ano passado, é um mecanismo de defesa comercial que autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas contra países que impõem tarifas, barreiras ou restrições abusivas a produtos e interesses do Brasil. O país se prepara para essa ação, com o Brasil se preparando para retaliação contra o tarifaço dos EUA.
Nas tratativas com os empresários afetados pelo tarifaço, o governo deve apresentar medidas de auxílio econômico, como o Plano Brasil Soberano, que prevê R$ 15 bilhões em linhas de crédito e financiamento para empresas exportadoras sobretaxadas.
Os setores produtivos também estudam levar ao Mdic outras medidas de socorro aos exportadores, como, por exemplo, a retomada do "Reintegra", programa federal para devolver às empresas parte dos impostos pagos durante a produção no Brasil.
Embora haja cautela do empresariado quanto à reciprocidade, a avaliação no Palácio do Planalto é de que as possibilidades de renegociação do tarifaço entre EUA e Brasil são reduzidas, conforme apurou a CNN.
Além disso, integrantes do governo também avaliam que a Casa Branca tende a aguardar o desfecho das eleições brasileiras antes de reavaliar a política tarifária contra o país, o que reforça a necessidade de discutir previamente com os setores afetados os custos de uma eventual resposta brasileira.
Caso o governo brasileiro decida usar a Lei da Reciprocidade, as medidas contra os Estados Unidos podem ser aplicadas seguindo critérios específicos.
De acordo com a lei, é possível que o Brasil adote medidas em resposta a possíveis ações estrangeiras que "impactam negativamente a competitividade internacional brasileira".
Após o novo tarifaço sobre o Brasil, anunciado nesta semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), defendeu o uso da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos.
Em nota publicada nesta semana, Hugo disse apoiar "o diálogo respeitoso entre nações soberanas", mas que discorda "do uso de barreiras comerciais como instrumento de ingerência ou pressão política". "Contamos com a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso, como instrumento legítimo de defesa dos interesses nacionais", disse o deputado.
A lei permite a aplicação de medidas de resposta nos seguintes casos:
Leia mais
Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.



