Justiça manda Renan Santos apagar vídeo que chama Safadão de 'ícone da corrupção'
O cantor ingressou com uma ação judicial contra o pré-candidato após ser acusado de "liderar" um esquema de exploração de prefeituras por meio de cachês de shows

A Justiça do Ceará determinou que o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e pré-candidato à Presidência, Renan Santos (Missão), exclua das redes sociais um vídeo em que acusa o cantor Wesley Safadão de ser o "novo ícone da corrupção" no Brasil.
A decisão da 15ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza prevê multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
No entendimento do juiz responsável pelo caso, Geraldo Magela Facundo Júnior, a publicação ultrapassa os limites da liberdade de expressão e configura uma "campanha de execração".
No ofício, o magistrado aponta ainda que a publicação do vídeo nas redes sociais "potencializa exponencialmente" o dano a Safadão, que é uma personalidade da mídia.
A Justiça deu prazo de 24 horas para que o vídeo específico, publicado em março deste ano, seja excluído.
Renan Santos também fica proibido de fazer novas publicações relacionadas ao processo que tenham viés ofensivo à honra e à imagem de Safadão.
Também na segunda-feira, no entanto, o pré-candidato e militante do MBL publicou outro vídeo em que afirma que o cantor teria ficado "pistola". "O Safadão e muitos outros artistas querem fazer você crer que é normal e natural inúmeras cidades que não têm capacidade de se sustentar, pobres para caramba, fazerem shows caríssimos com eles", disse.
Dois dias antes, Renan também teceu críticas ao DJ Alok pela realização de um show em Teresina, no Piauí. Na postagem, o militante relaciona o artista a Antônio Rueda e Ciro Nogueira, presidentes do União Brasil e do Progressistas, respectivamente.
Alok, por meio dos comentários, rebateu e disse que não conhece nenhum dos dois. Ele afirmou que abriu mão do cachê da apresentação para que o show "se tornasse viável". "Graças a Deus tenho uma carreira internacional sólida e muito bem-sucedida", escreveu o DJ.
Entenda a origem do processo de Safadão
Em março deste ano, também em um vídeo, Renan criticou o uso de dinheiro público, especialmente em municípios pobres, para a contratação de artistas.
Na postagem, ele chama o artista de "novo ícone da corrupção", acusando Safadão de liderar "um esquema bizarro" de exploração de prefeituras menores.
Em resposta, a defesa do cantor entrou com um processo por calúnia, difamação e injúria contra Renan Santos.
Para a Justiça do Ceará, “as declarações proferidas pelo requerido [Santos] não se apresentam, em análise preliminar, como mera opinião, crítica política ou juízo de valor, mas como afirmações categóricas de prática criminosa atribuída ao autor [Safadão], desprovidas, ao menos por ora, de qualquer substrato probatório, circunstância que evidencia, em tese, a ocorrência de ilícito”.
Procurada pela reportagem da Itatiaia, a defesa do pré-candidato afirmou que as declarações estão baseadas em informações já debatidas publicamente.
Veja a nota na íntegra:
"O cantor Wesley Safadão ingressou com uma queixa-crime na Justiça contra o pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, acusando-o de crimes contra a honra após declarações feitas em redes sociais.
A ação foi protocolada na Comarca de Fortaleza (CE) e sustenta que Renan Santos teria cometido calúnia, difamação e injúria ao associar o artista a supostos esquemas ilegais e práticas criminosas, sem respaldo em investigações formais.
De acordo com a peça, Safadão afirma que teve sua imagem pública atingida por declarações que o apontavam como envolvido em corrupção e enriquecimento ilícito. A defesa do cantor destaca que ele não foi indiciado, investigado ou chamado a prestar esclarecimentos em qualquer procedimento relacionado às acusações mencionadas.
O documento também menciona que as declarações teriam sido feitas em um vídeo publicado nas redes sociais de Renan Santos, que conta com centenas de milhares de seguidores, o que teria ampliado significativamente o alcance das falas.
Segundo os advogados do cantor, as acusações teriam sido feitas de forma categórica, como fatos consumados, e com incentivo à disseminação do conteúdo, o que, na avaliação da defesa, reforça a intenção de causar dano à reputação do artista.
Em resposta, Renan Santos afirmou que suas declarações estão baseadas em informações já debatidas publicamente e defendeu seu direito de crítica.
“Wesley Safadão não quer que eu seja presidente. Pois é, amigos, fui processado por ele pelo ‘crime’ de ter exposto a quantidade de shows que realiza pelo Brasil, especialmente em prefeituras pobres e, muitas vezes, ligadas a políticos próximos. Isso não é invenção, isso já foi tema de matérias da imprensa. O que está em jogo aqui é o direito de questionar como o dinheiro público está sendo utilizado.”
Além da responsabilização penal, a ação pede a remoção imediata dos conteúdos considerados ofensivos, a proibição de novas publicações semelhantes e o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 50 mil.
A defesa de Safadão também solicita que, em caso de condenação, a decisão judicial seja divulgada nas mesmas plataformas onde as declarações foram feitas, como forma de reparação pública.
O caso agora será analisado pelo Judiciário, que decidirá sobre o recebimento da queixa-crime e eventual andamento da ação penal."
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



