Itamaraty reconhece 'esforços' para paz em Gaza após anúncio de plano de Trump
O Ministério das Relações Exteriores defende, em nota, que o único meio de encerrar o conflito é a implementação de dois Estados

O Ministério das Relações Exteriores divulgou, na madrugada deste sábado (4), uma nota afirmando que a “implementação de dois Estados” — Palestina e Israel — é o único caminho possível para alcançar a paz no território de Gaza.
Na segunda-feira (29), os EUA divulgaram uma proposta para encerrar a guerra, que prevê a criação de um conselho internacional presidido por Trump, anistia a integrantes do grupo terrorista Hamas que entregarem as armas e a criação futura de um Estado palestino.
Em resposta, o Hamas manifestou disposição em negociar com Trump e anunciou, na sexta-feira (3), que concorda em liberar todos os reféns israelenses, vivos ou mortos, sob os termos do cessar-fogo proposto.
Ainda na sexta-feira, Israel afirmou que se prepara para implementar imediatamente a primeira fase do plano de paz elaborado pelos Estados Unidos.
Na nota, o Itamaraty também reconhece os esforços de países mediadores e afirma esperar que, se o plano for aceito e implementado pelas partes, ele resulte “na cessação imediata e permanente dos ataques israelenses à Faixa de Gaza, na libertação dos reféns remanescentes, na entrada desimpedida de ajuda humanitária e no início urgente da reconstrução do território, sob apropriação e supervisão palestina”.
Leia nota na íntegra:
O governo brasileiro acompanha com atenção as discussões que se seguiram ao anúncio, pelo governo norte-americano, em 29/9, de novo plano para cessar-fogo na Faixa de Gaza, cuja população segue assolada, decorridos dois anos, por mortes, deslocamentos forçados, fome e destruição de lares e de infraestrutura vital.
Ao reconhecer os esforços dos países mediadores para colocar fim ao conflito, o Brasil guarda expectativa de que, se aceito e implementado pelas partes, o plano resulte, entre outras medidas, na cessação imediata e permanente dos ataques israelenses à Faixa de Gaza, na libertação dos reféns remanescentes, na entrada desimpedida de ajuda humanitária e no início urgente da reconstrução do território, sob apropriação e supervisão palestina. Defende, ademais, a retirada completa das forças israelenses de Gaza e a restauração da unidade político-geográfica da Palestina.
Nesse contexto, o Brasil reafirma a convicção de que o único caminho para uma paz justa, estável e duradoura no Oriente Médio passa pela implementação da solução de dois Estados, com um Estado da Palestina independente e viável, vivendo lado a lado com Israel, em paz e segurança, dentro das fronteiras de 1967, incluindo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital.
Considera, por fim, que qualquer Força Internacional de Estabilização a ser desdobrada na região deverá contar com um mandato cuidadosamente desenhado e devidamente aprovado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



