Governo Zema estuda criar 2ª vice-presidência no BDMG para nomear ex-secretário
Antes cotado para Codemge, Igor Eto pode ocupar cargo de direção no banco mineiro

Depois de não conseguir emplacar o ex-secretário de Governo Igor Eto como vice-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) devido a resistências internas no Estado, o governo Zema tenta, agora, a nomeação de Eto em um cargo de direção no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).
A coluna apurou que o governo estuda a criação de uma segunda vice-presidência do BDMG para abrigar Eto e assessores próximos do ex-secretário. Atualmente, o banco já possui um vice-presidente, o advogado Antônio Claret, responsável por atuar em missões institucionais da empresa.
Na semana retrasada, o governo debateu intensamente sobre a possibilidade de emplacar Igor Eto como vice da Codemge, mas interlocutores do Estado, bem como técnicos da Advocacia-Geral do Estado (AGE), pontuaram que a nomeação poderia ferir a Lei das Estatais, que prevê que agentes políticos que participaram de campanhas eleitorais nos últimos três anos não podem ocupar cargos de direção nas estatais. Eto, no caso, coordenou a campanha à reeleição de Zema no ano passado.
No plano nacional, a Lei das Estatais chegou a ser "enfrentada" pelo governo Lula com a ida de Aloísio Mercadante para a presidência do BNDES. A nomeação só foi possível depois que o STF aceitou um recurso do PCdoB contra a legislação. O governo Zema chegou a considerar adotar a tática para também burlar a regra a nível estadual, mas o plano não avançou. A propósito, o Novo chegou a entrar com um recurso contra a decisão do Supremo que, no fim das contas, autorizou Mercadante a presidir o BNDES.
Aliás, a Lei das Estatais pode não ser o único entrave para Eto assumir uma segunda vice no BDMG. Depois da indicação do nome, o Banco Central também precisa dar aval para a nomeação seguindo critérios rígidos. Um deles, por exemplo, é que o indicado tenha atuado em cargos gerenciais por pelo menos dois anos em instituições do Sistema Financeiro Nacional ou quatro anos na área financeira de outras entidades.
Eto deixou a Secretaria de Estado de Governo em junho.
Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.
