Governo Simões eleva projeção de rombo fiscal em 18,5% e déficit chega a R$ 10,5 bilhões
Simões justificou o aumento das despesas com gastos constitucionais na saúde, educação e amparo e fomento à pesquisa. O governador também citou os gastos com juros e amortização da dívida, bem como adequação das emendas de blocos e bancadas, despesas da segurança pública e folha de pagamento

O governador Mateus Simões (PSD) enviou uma atualização do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de Minas Gerais para a Assembleia Legislativa, projetando um aumento nas despesas que faz o déficit fiscal do estado crescer em 18,4%, para R$ 10,5 bilhões. O texto foi recebido pelos deputados nesta quinta-feira (15) e deve ser apreciado até o final do ano com vigência para 2027, já no governo Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Pelas estimativas, o governador eleito vai receber uma administração que tem receitas estimadas na casa de R$ 144,9 bilhões. Por outro lado, as despesas inicialmente previstas estavam em R$ 153,8 bilhões. Porém, a previsão de gastos foi atualizada por meio de um substitutivo enviado aos deputados, para R$ 155,5 bilhões.
Na mensagem enviada para ALMG, Simões justificou o aumento das despesas com gastos constitucionais na saúde, educação e amparo e fomento à pesquisa. O governador também citou os gastos com juros e amortização da dívida, bem como adequação das emendas de blocos e bancadas, despesas da segurança pública e o crescimento vegetativo da folha de pagamento.
Se comparado com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, sancionada em agosto, e que estabelece os parâmetros para a elaboração da LOA, o rombo previsto cresceu 36,8%. Na época, a estimativa de receita era estimada em R$ 142,79 bilhões e as despesas totais de R$ 150,46 bilhões.
Em relação ao orçamento de 2026, a projeção de déficit nas contas públicas é menos da metade do estimado para o ano que vem. Nesse caso, o rombo saiu de R$ 5,22 bilhões para R$ 10,5 bilhões no próximo ano. As despesas aumentaram R$ 8,53 bilhões, enquanto as receitas caíram R$ 3,24 bilhões.
Cleitinho contesta situação fiscal
O governador eleito Cleitinho Azevedo subiu na tribuna do Senado nessa quinta-feira para criticar Simões. O próximo chefe do Executivo Estadual se irritou com declarações de seu antigo rival eleitoral sobre a transição de governo e prometeu fazer uma auditoria nos contratos firmados na antiga gestão do estado.
Cleitinho também contestou as informações sobre a situação fiscal do estado apresentadas pela atual gestão. Ele questionou a mudança no diagnóstico das contas públicas. "Você disse agora falando que vai deixar um déficit de quase R$ 10 bilhões, que não tem dinheiro para pagar os servidores em janeiro, Mateus. Até então antes da campanha o estado estava mil maravilhas, agora a partir de primeiro de janeiro o estado quebrou?”, indagou.
Em nota enviada à reportagem, a equipe de Simões aponta que a atual gestão do estado reafirma seu compromisso com a transparência e com as contas públicas.
“Da mesma forma, o processo de transição de governo foi iniciado em 6 de outubro, de maneira transparente e profissional. É conduzido em conformidade com as exigências legais, incluindo as publicações realizadas no Diário Oficial de Minas Gerais, com acesso a todos os cidadãos mineiros. Conforme já informado, as reuniões entre a comissão e os integrantes do governo serão transmitidas ao vivo e online nos canais das redes sociais e no canal Rede Minas 2”, diz a nota.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



