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Gonet nega amizade com Vorcaro e rejeita suspeitas de interferência no MPF

Procurador-geral afirma que não recebeu pedidos para interferir na Operação Compliance Zero e explica contatos com o ex-banqueiro

PorBrasília
Paulo Gonet, procurador-geral da República.
Paulo Gonet, procurador-geral da República. • Fellipe Sampaio/STF.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou uma defesa de 30 páginas ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), na qual nega ter qualquer relação de amizade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e rejeita suspeitas de atuação indevida em processos envolvendo o Banco Master.

O documento será na próxima semana, quando o conselho marcou o julgamento da representação relacionada à atuação de Gonet. Na defesa, o procurador-geral também critica o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e utiliza uma declaração feita pelo magistrado em sessão recente, na qual ele afirmou não ter identificado atuação irregular do chefe do MPF.

Segundo o procurador-geral, seu único encontro presencial com Daniel Vorcaro ocorreu em abril de 2024, durante um evento em Londres promovido pelo Grupo Voto e pela revista Consultor Jurídico.

Gonet afirma que foi apresentado ao empresário em um ambiente com outros convidados e que não houve conversa de natureza profissional. Ele também declarou que, naquele período, não tinha conhecimento público de eventuais atividades ilícitas relacionadas ao Banco Master.

O procurador-geral confirmou ainda uma segunda interação, por telefone, em 15 de março de 2025. De acordo com o relato, a ligação foi intermediada pelo advogado Ciro Soares, que passou o telefone de Vorcaro a Gonet para uma breve saudação.

Gonet afirmou que a conversa não envolveu assuntos relacionados às suas atribuições profissionais. Ele também disse que não consta na lista de contatos do ex-banqueiro e que não houve ligações de Vorcaro para seu número.

Suspeitas de interferência em investigação

A defesa também aborda mensagens atribuídas a Vorcaro, nas quais o nome “Paulo” aparece em possíveis pedidos de ajuda relacionados à investigação.

Gonet sustenta que não recebeu qualquer solicitação de interferência para impedir apurações e afirma que sua atuação foi voltada a garantir suporte institucional ao trabalho dos procuradores responsáveis pelo caso.

O procurador-geral declarou que a Procuradoria-Geral da República recusou duas propostas de colaboração premiada envolvendo Vorcaro e firmou outros dois acordos, submetidos à homologação do STF. Segundo ele, as decisões seguiram critérios que incluíam a apresentação de informações novas, elementos de corroboração e a recuperação de ativos.

A representação contra Gonet foi motivada por notícias sobre uma possível tentativa de intermediação em favor de Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal marcou para 25 de setembro a sessão que vai analisar a situação do procurador-geral. Gonet nega irregularidades e afirma estar juridicamente apto a continuar atuando em processos relacionados ao Banco Master e ao ex-banqueiro.

 

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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