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Gilmar Mendes pede vista e suspende julgamento sobre mudanças na Lei da Ficha Limpa

STF analisa validade de alterações aprovadas pelo Congresso que reduziram prazos de inelegibilidade para políticos condenados ou cassados

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O ministro Gilmar Mendes, do STF
O ministro Gilmar Mendes, do STF • LUIZ SILVEIRA/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista — mais tempo para análise — e suspendeu nesta quinta-feira (28) o julgamento que discute a validade das mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional na Lei da Ficha Limpa.

Com o pedido, Gilmar terá até 90 dias para devolver o processo ao plenário da Corte. Após isso, caberá ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, definir a data para retomada do julgamento.

Até a interrupção da análise, a relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Luiz Fux haviam votado para derrubar as alterações aprovadas pelo Congresso e restabelecer as regras anteriores da legislação.

O julgamento estava acontencendo no plenário virtual da Corte, no formato não há debate entre os ministros que apenas depositam os seus votos em um sistema eletrônico.

O principal ponto em debate envolve a nova forma de contagem do prazo de inelegibilidade. Antes das mudanças, políticos condenados ou cassados ficavam impedidos de disputar eleições por oito anos após o cumprimento da pena.

Com a alteração aprovada pelo Congresso, em alguns casos o prazo passou a começar antes, reduzindo o período total de inelegibilidade.

Na prática, as mudanças podem permitir que políticos condenados ou que perderam o mandato voltem a disputar eleições mais cedo.

Entre os nomes citados nos debates sobre os impactos da nova regra estão o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

O precosso

O processo foi apresentado pelo Rede Sustentabilidade, que argumenta que as mudanças aprovadas pelo Congresso enfraquecem os mecanismos de combate à corrupção e de proteção à moralidade administrativa.

A legenda pede que o STF suspenda imediatamente os efeitos da nova lei e declare sua inconstitucionalidade.

O partido também sustenta que houve irregularidades na tramitação do projeto no Congresso Nacional. Segundo a ação, o Senado alterou pontos relevantes do texto aprovado pela Câmara dos Deputados sem devolver a proposta para nova análise dos deputados, o que, na avaliação da sigla, viola a Constituição Federal.

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Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.