Futuro de presidente Petrobras no cargo deve ser definido nesta segunda
Assunto será discutido entre o presidente Lula e o ministro Haddad; crise sobre dividendos, estopim da crise, tem afetado as ações da estatal

A indefinição sobre o futuro do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, no cargo deve ser resolvida nesta semana, quando Lula deverá decidir se ele segue, ou não, à frente da companhia estatal. Desde a semana passada, a permanência de Prates na presidência da companhia tem gerado críticas de membros do governo e do PT, que defendem a decisão de reter os dividendos pagos aos acionistas minoritários da empresa.
Prates, que também tem requisitado um espaço na agenda do presidente Lula, não foi convidado para uma reunião convocada no domingo (07), no Palácio da Alvorada, que reuniria o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, da comunicação, Paulo Pimenta, da Casa Civil, Rui Costa, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Na pauta desse encontro, que acabou cancelado, a pauta seria justamente a permanência de Prates a frente da estatal.
Neste momento, a Petrobras tem R$ 43,9 bilhões retidos em um fundo de reserva, e distribuição dos recursos colocou ministros do governo e a presidência da companhia em lados opostos, abalando permanência de Prates na empresa,
Originalmente, esses recursos deveriam ser destinados aos acionistas da empresa. No entanto, o governo negociou para que o Conselho de Administração da empresa votasse a favor de não distribuir esses lucros. Na época, Prates se absteve da votação, numa demonstração de alinhamento aos acionistas minoritários. Desde então, a crise na estatal tem escalado, inclusive, com farpas públicas entre Prates e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Pelas regras da Petrobras, esse dinheiro reservado para dividendos não pode ser usado diretamente nos investimentos, mas a tese defendida por Alexandre Silveira e seu grupo é que esse dinheiro em caixa seria importante para a empresa conseguir empréstimos em condições mais favoráveis, viabilizando ou agilizando projetos que estão no foco do governo.
Enquanto o impasse não é resolvido, a interferência nas ações da empresa tem afetado a visão do mercado sobre a Petrobrás. No início de março, as ações da Petrobras fecharam em queda de 10,5%, o que significou perda de valor de mercado de R$ 55 bilhões em um dia.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



