De fora da eleição por ficha-suja, ex-prefeito é cotado para cargo em ministério de Lula
Adauto pode assumir um posto ligado ao setor de gás natural, mas precisa superar condenações

Ex-ministro dos Transportes no primeiro governo Lula, o ex-prefeito de Uberaba Anderson Adauto é cotado para assumir uma pasta dentro da equipe do Ministério de Minas e Energia. O nome de Adauto é apoiado por lideranças partidárias do Estado, mas têm sofrido resistência por conta do histórico recente de condenações na Justiça - fato que, inclusive, ainda precisa ser superado para que ele consiga a nomeação.
Interlocutores afirmaram à coluna que Adauto pode assumir um posto ligado ao setor de gás natural no ministério. O ex-ministro atuou nesta área na equipe de transição e, durante a campanha, foi um dos coordenadores na região do Triângulo Mineiro para Lula e do então candidato a governador Alexandre Kalil (PSD).
O plano inicial de Adauto era disputar a eleição para deputado federal no ano passado mas, por conta das condenações, foi barrado pela Lei da Ficha Limpa. Ele desistiu da candidatura antes do TRE mineiro publicar uma decisão final sobre a impugnação.
Uma das condenações que o tornou inelegível é por improbidade administrativa - segundo ação do promotor José Carlos Fernandes Júnior, houve fraude em um processo seletivo da Secretaria de Saúde de Uberaba durante o primeiro mandato de Adauto como prefeito. Ele foi condenado em todas as instâncias.
Em outro processo, também em ação proposta pelo promotor de Justica José Carlos Fernandes, Adauto já sofreu condenação em segunda instância por supostas ilicitudes na contratação de agências de publicidade na Prefeitura de Uberaba.
Recentemente, em um terceiro processo, relacionado a agendas escolares distribuídas para alunos da rede escolar municipal de Uberaba contendo fotografia e mensagem do então prefeito, também movido por Fernandes, Anderson Adauto firmou acordo com a 15 Promotoria de Justica de Uberaba, assumindo a obrigação de repassar cerca de 160 mil reais aos cofres públicos municipais.
O ex-ministro ainda tenta recorrer das condenações no STJ e no STF.
Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.
