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Flávio Bolsonaro amplia alianças e leva disputa a Minas; Lula reformula campanha após críticas internas

Petista incorpora políticos do Nordeste à coordenação, reforça a comunicação digital e muda o discurso; adversário negocia apoio de lideranças regionais e promete discutir dívida mineira com a União

Por e , Brasília
Flávio tem 52% no Datafolha e ganha apoio de Cury; governo busca acelerar PEC da 6x1 no Senado
Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro definem estratégias no segundo turno • Reprodução: Paulo Pinto/Agência Brasil; Joédson Alves/Agência Brasil

A 16 dias do segundo turno, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) ajustam suas estratégias após o resultado da primeira etapa da eleição. Lula decidiu reforçar a coordenação da campanha com políticos do Nordeste, ampliar a atuação nas redes sociais e dar mais espaço a temas como segurança pública e custo de vida. Flávio, por sua vez, busca consolidar alianças políticas e ampliar sua presença em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

As mudanças no comando petista ocorrem após críticas internas à condução da campanha e a declaração do próprio presidente de que a disputa no primeiro turno foi a menos organizada de sua trajetória eleitoral desde 1989. Do lado de Flávio, a articulação com governadores eleitos, parlamentares e partidos busca transformar os apoios recebidos após o primeiro turno em votos.

Lula reforça coordenação e aposta no Nordeste

O presidente incorporou três aliados da região Nordeste à coordenação nacional da campanha. O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, ficará responsável pela articulação política. O senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, coordenará a agenda. Já o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ficará à frente da comunicação.

A mudança ocorre após o resultado do primeiro turno, em que Flávio terminou à frente do presidente, contrariando a expectativa de parte dos petistas.

PT muda comunicação e endurece discurso

Outra frente de mudança é a comunicação digital. Na quarta-feira (7), Lula se reuniu com influenciadores e parlamentares recém-eleitos com forte presença nas redes sociais. A campanha montou uma sala no comitê, no Lago Sul, em Brasília, para ampliar a produção de conteúdo e aproximar o presidente de públicos com os quais teve mais dificuldade de comunicação no primeiro turno.

O próprio Lula passou a gravar mais vídeos no formato selfie e a enviar mensagens de voz a apoiadores em aplicativos. No discurso, a campanha também vem dando mais espaço a temas como segurança pública, custo de vida e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na noite de quinta-feira (8), Lula criticou propostas de cortes no Orçamento e associou medidas de ajuste fiscal à redução de benefícios sociais.

“Fiquem preocupados, porque quando se falar em corte significa meter a mão no bolso do povo trabalhador”, disse o presidente. Ele citou possíveis impactos sobre a política de valorização do salário mínimo, o Minha Casa, Minha Vida e os descontos em medicamentos.

Flávio amplia alianças e negocia dívida de Minas

Flávio Bolsonaro dedicou parte da agenda de quinta-feira (8) à articulação com lideranças mineiras. Em Brasília, reuniu-se com o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros parlamentares do estado.

No encontro, Flávio assumiu o compromisso de discutir alternativas para o pagamento da dívida de Minas Gerais com a União. A proposta apresentada por Cleitinho prevê rever as condições de pagamento e permitir que parte dos recursos destinados à dívida seja convertida em investimentos em áreas como infraestrutura e segurança pública.

A agenda reforça a tentativa de Flávio de ampliar o apoio no estado, considerado estratégico para a disputa nacional. Durante o encontro, Nikolas afirmou que Minas é o “fiel da balança” da eleição.

O candidato também recebeu o apoio do ex-presidenciável Augusto Cury (Avante), que condicionou a adesão ao cumprimento de um termo de compromissos. O documento prevê, entre outros pontos, a defesa do fim da reeleição presidencial, a ampliação do ensino em tempo integral, uma rede pública de telemedicina e medidas voltadas à pacificação nacional.

Cury afirmou que o apoio não representa um “cheque em branco”. Flávio assinou o documento na quinta-feira (8).

Partidos se dividem entre neutralidade e apoio

Na disputa por alianças, o PSDB anunciou neutralidade no segundo turno e liberou os diretórios estaduais para apoiar Lula ou Flávio. O presidente da sigla, Aécio Neves, afirmou que a consulta interna apontou divisão entre a neutralidade e o apoio ao candidato do PL, com uma parcela menor favorável ao petista.

Já a Unidade Popular (UP) declarou apoio à reeleição de Lula. O presidente do partido, Léo Péricles, resumiu a posição com o lema “Bolsonaro nunca mais”.

Governo tenta acelerar votação da escala 6x1

A proposta que acaba com a escala de trabalho 6 por 1 também segue como um dos pontos de disputa entre as campanhas. O Senado encerrou na quinta-feira (8) a terceira sessão de discussão da PEC, com 52 senadores presentes. Apenas Paulo Paim (PT-RS) discursou durante a sessão, que durou cerca de meia hora.

O governo tenta acelerar a tramitação por meio de um requerimento de calendário especial, que permitiria votar os dois turnos no mesmo dia. Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), são necessárias 54 assinaturas ou o apoio de líderes que representem esse número de senadores. A aprovação do pedido depende de maioria simples do plenário.

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A líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que articula o apoio necessário, mas não informou quantas assinaturas já foram reunidas. A oposição, liderada pelo PL, defende adiar a votação para depois das eleições, sob o argumento de que o tema não deveria ser votado durante o período eleitoral.

Datafolha mostra disputa apertada

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (8) mostra Flávio com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula. Considerando todos os entrevistados, o candidato do PL tem 49%, e o petista, 45%. O levantamento ouviu 2.520 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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Jornalista pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e pós-graduanda em política e relações internacionais na FAAP, atua na cobertura de Congresso Nacional e Judiciário na Itatiaia em Brasília. Ilustradora, também faz reportagens especiais de jornalismo em quadrinhos. Com passagens por CNN Brasil, SBT News, SBT Brasil e Correio Braziliense.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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