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Flávio Bolsonaro aciona TSE contra suposta rede de fake news pró-Lula

Ação acusa perfis no Instagram de disseminar informações falsas ou descontextualizadas contra o candidato do PL. Defesa pede retirada de publicações, suspensão de contas e cassação da chapa de Lula e Alckmin.

Por, Brasília
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). • Vittor Sales e Ricardo Stuckert.

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sob a acusação de disseminação em massa de notícias falsas nas redes sociais. A iniciativa foi apresentada na noite de quinta-feira (8) por meio de uma ação de investigação judicial eleitoral.

A petição aponta a atuação de uma rede de perfis no Instagram que, segundo a equipe de Flávio, estaria ligada à campanha de reeleição de Lula. A defesa classifica a estratégia como uma “campanha do medo”, com publicações que associam um eventual governo do senador a medidas impopulares e retrocessos sociais.

Entre os conteúdos questionados estão afirmações de que Flávio pretende privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS), acabar com o Bolsa Família, extinguir o décimo terceiro salário, reduzir benefícios do Farmácia Popular e congelar aposentadorias. Também são citadas publicações sobre uma suposta jornada de trabalho de 16 horas por dia, uma escala de trabalho “7x0” e a possibilidade de implantação de uma ditadura.

De acordo com a ação, os advogados analisaram 2.856 publicações feitas por 146 perfis entre os dias 5 e 7 de outubro. Desse conjunto, 218 publicações foram apontadas como problemáticas: 24 classificadas pela defesa como falsas e 194 consideradas descontextualizadas ou sem confirmação.

O material teria alcançado 11,6 milhões de visualizações e 2,5 milhões de interações em aproximadamente 62 horas. Os números fazem parte do levantamento apresentado pela equipe do candidato e ainda não representam uma conclusão da Justiça Eleitoral sobre a existência de irregularidades.

A petição, com 196 páginas, foi encaminhada à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral. Entre os pedidos estão a suspensão de 32 perfis, a remoção de 221 publicações e o bloqueio de publicações colaborativas envolvendo 48 contas apontadas como centrais na rede. A defesa também solicita a identificação dos responsáveis por perfis anônimos e a aplicação de multas em caso de descumprimento de eventuais ordens judiciais.

Outro pedido é a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. A equipe de Flávio também solicita multas que podem chegar a 50 mil reais por publicação, caso a Justiça acolha os pedidos e reconheça o descumprimento das determinações.

Um dos pontos centrais da acusação é o uso da ferramenta de publicação colaborativa do Instagram, conhecida como collab. O recurso permite que diferentes perfis compartilhem a autoria de uma postagem, ampliando o alcance do conteúdo entre seus públicos. Para a defesa, a ferramenta teria sido utilizada para multiplicar a circulação de informações falsas ou descontextualizadas.

A campanha de Lula afirmou que ainda não foi notificada sobre a ação e que, por isso, não tem condições de responder às acusações.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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