Flávio aciona TSE contra suposta rede de fake news pró-Lula e denuncia 'campanha do medo'
Petição acusa uma rede organizada de perfis no Instagram ligada à campanha de reeleição do petista de disseminar informações falsas ou descontextualizadas para promover o "medo", segundo a equipe do candidato do PL

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apresentou, na noite desta quinta-feira (8), uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A petição acusa uma rede organizada de perfis no Instagram ligada à campanha de reeleição do petista de disseminar informações falsas ou descontextualizadas para promover o que a equipe do candidato do PL classifica como uma “campanha do medo”.
Entre os conteúdos citados na ação estão publicações que afirmam que Flávio Bolsonaro pretende privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS), acabar com o Bolsa Família, extinguir o 13º salário e reduzir recursos do Farmácia Popular. Também são mencionadas postagens sobre um possível congelamento de aposentadorias, a implementação de uma ditadura, um golpe de Estado, uma jornada de trabalho de 16 horas diárias, uma escala de trabalho “7x0” e uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
Com 196 páginas, a petição foi encaminhada à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral e pede, em caráter liminar, a suspensão de 32 perfis apontados como “núcleos de produção de desinformação”. “Esta ação não trata de uma publicação infeliz, de uma crítica áspera ou de um exagero próprio do embate eleitoral. Trata de uma engrenagem”, afirma o documento.
Ação aponta uso de ferramenta do Instagram
Um dos pontos centrais da acusação é o uso da ferramenta collab, do Instagram, que permite que até seis perfis assinem uma mesma publicação. Com o recurso, o conteúdo aparece nos perfis dos coautores, amplia o alcance da postagem e pode obter maior distribuição pelo algoritmo da plataforma.
A defesa de Flávio Bolsonaro reconhece que a ferramenta é lícita, mas sustenta que ela estaria sendo utilizada como um “multiplicador industrial de conteúdo falso ou gravemente descontextualizado”.
Segundo os advogados, foram coletadas 2.856 publicações de 146 perfis entre a 0h de 5 de outubro e as 14h28 de 7 de outubro. A equipe identificou 46 perfis de grande alcance ligados à militância digital favorável a Lula e acrescentou à análise outros 100 perfis que mais apareciam em publicações colaborativas com eles.
A partir desse levantamento, a ação aponta a existência de um suposto “núcleo de desinformação”, com 218 publicações. Desse total, 24 foram classificadas pelos autores da petição como falsas, enquanto outras 194 foram consideradas “descontextualizadas sem confirmação”.
As publicações teriam sido produzidas por 123 perfis e alcançado 11,6 milhões de visualizações e 2,5 milhões de interações em aproximadamente 62 horas. De acordo com o documento, 80% dos conteúdos foram publicados por meio da ferramenta collab.
Campanha de Lula diz que não foi notificada
Procurada pela reportagem, a campanha de Lula informou que não havia sido notificada sobre a ação e que, por isso, não poderia se manifestar sobre as acusações. “Não fomos notificados e não temos ciência dessa ação, por isso não temos como responder”, afirmou a campanha.
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