Lula reformula campanha e muda discurso para o 2º turno
Após ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, presidente incorpora Camilo Santana à coordenação e eleva o tom sobre segurança pública

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a reformular a campanha à reeleição para o segundo turno, com mudanças na coordenação e ajustes no discurso adotado na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL). As alterações ocorrem após o petista ficar atrás do adversário no primeiro turno e criticar publicamente a organização da própria campanha.
A principal mudança na estrutura foi a entrada do senador Camilo Santana (PT-CE) na coordenação-geral. O ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação passa a dividir a função com Edinho Silva, presidente nacional do PT, que até então ocupava o posto sozinho.
Camilo Santana já integrava a campanha de Lula, mas concentrou as atenções no primeiro turno na reeleição do governador Elmano de Freitas (PT) no Ceará. Agora, o presidente quer o senador focado na disputa do segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
Lula também decidiu reforçar a equipe de campanha com os candidatos mais bem votados do Nordeste. Os governadores reeleitos da Bahia e do Piauí, Jerônimo Rodrigues e Rafael Fonteles, por exemplo, ganharam espaço.
A reformulação também aparece no discurso. Na quarta-feira (7), Lula elevou o tom sobre segurança pública, defendeu a PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública e apresentou o lema: “Para o povo trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão”.
Além das mudanças na coordenação e na mensagem política, Lula reestrutura a estratégia de comunicação digital. No diagnóstico sobre o resultado do primeiro turno, o PT identificou problemas nessa área. Uma das primeiras mudanças foi a adoção de vídeos gravados pelo próprio presidente em formato de selfie.
Lula resistia ao formato e afirmava não se sentir “confortável” com esse tipo de vídeo, apesar de aliados o aconselharem e apontarem o potencial de ampliar a atenção do público e o compartilhamento das mensagens.
Nos primeiros vídeos em selfie, Lula pede à militância para “ir para a rua” e “evitar o retrocesso”, além de abordar a votação da PEC sobre o fim da escala 6x1 no Senado.
Lula critica campanha
O presidente criticou a organização da campanha eleitoral deste ano durante encontro com parlamentares na quarta-feira. Segundo Lula, a derrota no primeiro turno é resultado da desorganização do partido na mobilização.
“Nós temos uma classe trabalhadora que não quer carteira, que quer trabalhar por conta própria. Temos que lidar com isso. Fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989 e a gente colhe o que planta”, afirmou.
Lula também se reuniu com parlamentares eleitos do campo da esquerda para traçar uma nova estratégia para o segundo turno. Participaram os novos deputados e senadores eleitos com maior número de votos no país, entre eles a mineira Ana Elisa (PT), eleita para a Câmara como a segunda mais votada do partido no estado e a mais votada da legenda no país.
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