Flávio Bolsonaro usou passaporte italiano para sair da Argentina
A fuga do ex-candidato ao Palácio do Planalto para o exterior ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes determinar que ele entregasse os passaportes brasileiros, além de proibi-lo de sair do Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República, usou o passaporte italiano para deixar a Argentina, com destino ao aeroporto de Guayaquil, no Equador, de onde partiu para os Estados Unidos. O documento foi compartilhado pelo jornalista argentino Pablo Duggan, do canal C5N.
Flávio desembarcou em Miami nesta quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas.

A fuga do ex-candidato ao Palácio do Planalto para o exterior ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que ele entregasse os passaportes brasileiros, incluindo o diplomático, e eventuais documentos estrangeiros, além de proibi-lo de sair do Brasil.
Antes de embarcar na Argentina, o senador e a família atravessaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, que conecta Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. A entrada do grupo no país ocorreu por volta das 22h50 desta terça-feira (27), segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina.
Nos Estados Unidos, o senador conseguiu entrar no país mesmo com o passaporte cancelado pela Polícia Federal. O governo do presidente Donald Trump confirmou que concederia vistos a Flávio, à esposa, Fernanda, e às duas filhas menores de idade.
Carta "ao povo brasileiro"
O senador, que até então não havia se pronunciado sobre a saída do país, publicou nesta quarta-feira uma carta na qual se declarou presidente do Brasil, mesmo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter declarado a reeleição do presidente Lula (PT). Ele, no entanto, recuou minutos depois e passou a se apresentar como "líder" do país.
No texto divulgado, Flávio voltou a não reconhecer a derrota e pediu apoio da comunidade internacional. Aos parlamentares eleitos para o Congresso, o senador afirmou que irá "liderar a oposição" mesmo de fora do país e que dirá o que eles poderão ou não dizer.
A fuga de Flávio do país pegou eleitores de surpresa. O coordenador da campanha do senador, Rogério Marinho (PL-RN), chegou a dizer que não concordava com a decisão, embora tenha afirmado que "compreendia" a escolha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além de Flávio, os Estados Unidos abrigaram outro membro da família Bolsonaro. Desde o ano passado, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mora no exterior, sob a justificativa de ser um "perseguido político". No Brasil, ele foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo, em razão de sua atuação na articulação de sanções econômicas contra o país e de pressões políticas sobre autoridades brasileiras.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



