PF vai investigar saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após descumprimento de ordem do STF
Em primeira manifestação oficial sobre o episódio, corporação diz que não há registro de saída do senador pelos postos migratórios brasileiros; parlamentar chegou aos EUA nesta quarta-feira (28)

A Polícia Federal vai investigar as circunstâncias da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após o parlamentar descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de deixar o país. Em nota divulgada nesta quarta-feira (28), a corporação afirmou que não há registro oficial de saída do senador pelos postos de controle migratório brasileiros.
A manifestação é a primeira comunicação oficial de uma autoridade brasileira sobre as circunstâncias da saída do ex-candidato à presidência da república, que chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira, acompanhado da mulher e das duas filhas. A PF informou que investiga o descumprimento das determinações judiciais, mas ressaltou que a situação, por si só, não caracteriza Flávio como foragido nem autoriza sua prisão.
Segundo a corporação, o pedido de medidas cautelares foi apresentado ao STF no domingo (25), após a identificação de risco de saída do Brasil. Entre as medidas solicitadas estavam a apreensão de passaportes, a proibição de deixar o território nacional e a restrição de contato com outros investigados.
Após a decisão judicial, os passaportes comum e diplomático emitidos pelo Brasil em nome do senador foram cancelados. A PF também inseriu um alerta migratório no Sistema de Registro de Alertas e Restrições (SONAR).
Na manhã de segunda-feira (26), Flávio foi intimado a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades no prazo de 24 horas. O prazo terminou na terça-feira (27), mas os documentos não foram entregues.
O senador possui cidadania italiana e passaporte emitido pelo país europeu. A determinação judicial alcançava também documentos de viagem estrangeiros.
Na nota desta quarta-feira, a Polícia Federal fez uma ressalva sobre os efeitos das medidas judiciais. Segundo a corporação, a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem não caracteriza, por si só, a condição de foragido nem autoriza prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares.
A PF afirmou que investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais e que atua dentro dos limites da legislação e em cumprimento às determinações da Justiça.
A eventual adoção de novas medidas depende da apuração e das decisões judiciais cabíveis.
Viagem passou pela Argentina e pelo Equador
A saída de Flávio do Brasil foi cercada de incertezas sobre seu paradeiro. Na noite de terça-feira, o governo argentino confirmou que o senador entrou no país por via terrestre, acompanhado da mulher e das duas filhas, às 22h50, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, perto de Foz do Iguaçu.
Segundo as autoridades argentinas, a família deixou o país cerca de 40 minutos depois, em um avião particular que decolou de Puerto Iguazú com destino a Guayaquil, no Equador. A aeronave fez uma escala em território equatoriano antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos.
O avião pousou no aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami, às 10h24 desta quarta-feira, pelo horário de Brasília. Flávio e os familiares desembarcaram e entraram em um carro que os aguardava na saída do aeroporto.
Investigação envolve suspeita de lavagem de dinheiro
Flávio Bolsonaro é investigado no STF ao lado do advogado Willer Tomaz, em um caso que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. A investigação envolve supostas relações financeiras entre os dois. Ambos negam irregularidades.
A decisão que determinou as medidas cautelares foi tomada após a PF apontar risco de evasão do território nacional. A corporação também mencionou declarações públicas do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que havia defendido que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.
Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado no domingo (25). O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Na segunda-feira, após ser intimado pela PF, Flávio afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que não pretendia deixar o Brasil. Também criticou a decisão de Alexandre de Moraes e disse que continuaria na oposição ao governo Lula.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



