Família e defesa de Bolsonaro continuam insistindo em prisão domiciliar
Carlos e Flávio Bolsonaro comparam caso do pai a decisões anteriores da Justiça

Mesmo após a transferência de Jair Bolsonaro para a chamada Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, a família e a defesa do ex-presidente afirmam que vão manter a insistência pela concessão de prisão domiciliar. A estratégia segue baseada em argumentos médicos e na comparação com outros condenados que obtiveram o benefício por razões de saúde.
Carlos Bolsonaro voltou a defender publicamente a mudança de regime e comparou a situação do pai a casos julgados pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça. Segundo ele, a maioria das prisões domiciliares concedidas por motivos de saúde envolveu quadros clínicos menos graves do que o de Jair Bolsonaro.
Carlos citou nomes como Fernando Collor, Paulo Maluf, Roberto Jefferson, Jorge Picciani, Geddel Vieira Lima e Luiz Estevão, além de casos de condenados que receberam o benefício por tratamento de câncer, HIV ou outras doenças. Para ele, há uma disparidade de critérios no caso do ex-presidente.
A defesa sustenta que Bolsonaro apresenta um conjunto de comorbidades comprovadas por laudos médicos, entre elas refluxo gastroesofágico com esofagite, hipertensão arterial, doença aterosclerótica do coração, problemas vasculares nas carótidas, anemia, apneia do sono e carcinoma de células escamosas, diagnosticado como câncer de pele. Além das doenças crônicas, os advogados destacam episódios recentes de soluços acompanhados de refluxos e vômitos, quadro que exige medicação com efeitos no sistema nervoso central. Bolsonaro também já passou por mais de oito cirurgias decorrentes da facada sofrida em 2018.
Apesar dos argumentos, o ministro Alexandre de Moraes autorizou apenas a transferência para um espaço com estrutura ampliada e melhores condições médicas, afirmando que o local oferece condições extremamente favoráveis em comparação ao sistema prisional brasileiro. Mesmo assim, a família e a defesa indicam que não pretendem deixar a pauta "cair" e devem continuar apresentando pedidos e manifestações ao Supremo Tribunal Federal, mantendo o tema no centro do debate jurídico e político.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.



