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Empresários mineiros em missão à China contam o que os impressionou no país

Indústria moderna, comércio informatizado, limpeza e segurança das cidades estão entre os itens citados

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Vista aérea de Xangai
Vista aérea de Xangai • Mardélio Couto / Itatiaia

Indústria moderna, leis e sistema tributário simples, comércio informatizado, cidades limpas e seguras. Esses foram alguns dos principais pontos avaliados positivamente pela comitiva de 200 empresários que ficou por cerca de sete dias na China em busca de investimentos para Minas Gerais.

Nas cidades, ruas e avenidas largas, bem pavimentadas e iluminadas. No trânsito, sinas inteligentes. Pedestres, mesmo sem qualquer indicio de veículo, não atravessam a faixa no momento de proibição, prática comum em muitos países. Bicicletas e motos elétricas têm grande presença no trânsito e são utilizadas por pessoas de todas as idades.

Na arquitetura, as estruturas históricas bem preservadas se misturam a casas e prédios novos e sem qualquer tipo de pichação. Grandes painéis de led anunciam marcas e negócios nos centros comerciais das cidades. Na segurança, policiais estão presentes nas ruas o tempo todo e as pessoas transitam com pertences de valor nas mãos até mesmo de madrugada.

No comércio, o dinheiro em espécie é algo raro. Praticamente todos os serviços podem ser pagos por meio do aplicativo Alipay, ferramenta que concentra serviços de QR code para pagamentos, compra e venda de passagens de trem e avião, hotéis, mapas de localização e serviço de transporte por aplicativo, que engloba táxis e carros particulares, entre outros.

Essas foram algumas percepções e avaliações dos empresários ouvidos pela Itatiaia sobre o período de sete dias em que eles ficaram em Xangai, percorreram várias cidades do interior chinês, participaram de reuniões com executivos e fizeram visitas técnicas em indústrias e comércios locais.

Acordos e negócios

Em meio a este cenário de agenda intensa de empresários e políticos, o Governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) fechou acordos de R$ 800 milhões de reais para Minas Gerais. Além disso, os executivos também fecharam negócios na China e têm projeções de parcerias para os próximos meses. Em agendas do governador e no "Brazil China Business Forum", promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a mineração teve destaque. O governador Zema quer atrair investimento internacional e transformar o Jequitinhonha no Vale do Lítio, mineral que pode ser utilizado na fabricação de baterias para veículos elétricos.

Já em rodas de negociações, outros segmentos mineiros também fecharam parcerias. Segundo a Federação das Indústrias de Minas foram fechados acordos para instalação de uma fábrica de equipamentos de irrigação e de uma fábrica de fertilizantes em Minas. O local e os valores investidos estão sendo definidos e serão conhecidos em breve.

Lições aprendidas

Um dos representantes do Agro mineiro presente na China é o produtor rural Fábio Meirelles Neto. Meirelles também integra a Agrosoja Minas Gerais, o setor é um dos principais exportadores pra China. Ele avalia positivamente o que viu em território chinês.

"Se a gente conseguir fazer uma ligação direta entre o produtor rural brasileiro e o mercado chinês seria muito bom. O mercado chinês pagaria menos e o produtor rural brasileiro receberia mais. Mas pra isso a gente precisaria de várias aberturas que ainda não temos hoje", comenta.

Empresário do ramo de joalherias, o empresário Manoel Bernardes, com negócios em Belo Horizonte, afirma que o comércio da China é um "case" para ser estudado.

"A China tem muita mão de obra, facilidade, escala, mas não só isso. A China tem também modelos de negócio diferentes e velocidade muito grande. Esse é o grande aprendizado para os mineiros - velocidade, foco e mudar o modelo de negócio. É preciso entender que a lógica do mundo mudou e que a gente tem que se adaptar", pontua.

Empresário de outro ramo e de outra cidade, João Pedro Souza Oliveira é proprietário da Indústria e Comércio de Fogos de Artificio São João, em Santo Antônio do Monte, no interior de Minas Gerais. Apesar de ter negócios no interior do Estado, João Pedro, tem avaliações semelhantes ao empresário da capital mineira e destacou a disciplina dos chineses como uma virtude.

"O que mais me chamou atenção foi a disciplina, principalmente nas indústrias. Tudo é muito bem organizado, detallhado. Isso poderia ser muito bem encaixado no nosso setor, que tem que ter muito método e disciplina, por ser muito perigoso. É o que a gente tem que levar daqui", explicou.

Paulo Romes Junqueira é diretor-presidente do Grupo Junco, responsável por gerenciar três marcas do setor alimentício e de artigos para festa. Com negócios estabelecidos em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Romes já negocia com a China e conhece bem o comércio local. O executivo destaca que o Brasil, guiado por países como a China, precisa investir mais em produtos de valor agregado, tese que foi defendida pelo Governador Zema durante parte do evento.

"Tá na hora de nós invertermos o papel na China. O Brasil sempre foi provedor de matéria prima ou produto manufaturado. Temos que aprender que temos capacidade e possibilidade de exportar também produto acabado", explica.

Dono de uma empresa que atua no segmento da indústria 4.0 e no desenvolvimento de software e tecnologia, João Celson Júnior, veio de Juiz de Fora, na Zona da Mata, focado na parte tecnológica e industrial de Xangai. O proprietário da Automaway ressaltou que ficou impressionado com o nível elevado de automação das cidades chinesas, serviços que com a ajuda de aplicativos e outras ferramentas são feitos pelos próprios usuários.

"Seja no nível de adquirir uma passagem seja nas máquinas totalmente automatizadas em seus processos, a China é bastante automatizada. Minas tem que seguir nessa linha, a automação deixa os processos mais baratos e aumenta a competitividade", comenta.

Além dos negócios firmados pelos empresários, o Governo de Minas atraiu investimentos para cidades como Nova Lima (RMBH), Montes Claros e Pousou Alegre. Foram cinco acordos celebrados com oito empresas. O volume de investimentos atraídos para o solo mineiro superou os R$ 800 milhões.

A cobertura da Missão Empresarial à China, que tem a participação do governador de Minas, é oferecimento da FIEMG. Essa iniciativa tem como patrocínio Master CODEMGE, CBMM, GERDAU, J.Mendes e VALE, e parceria Samarco e Arcellor.

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.

 

 

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