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Em Nova York, Arthur Lira manda recado a Lula: 'mundo não é o de 20 anos atrás'

Presidente da Câmara citou Congresso 'conservador e liberal' e disse que determinadas pautas não irão passar no Legislativo

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Arthur Lira mandou recado a Lula durante encontro do Lide em Nova York
Arthur Lira mandou recado a Lula durante encontro do Lide em Nova York • Reprodução/Lide

Nos Estados Unidos, onde participa de uma série de compromissos, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), mandou um recado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao governo federal como um todo sobre a articulação política com o Congresso Nacional.

Na semana passada, o governo foi derrotado no plenário da Câmara com a derrubada de um decreto que mudava o Marco do Saneamento aprovado por deputados e senadores.

A derrota gerou um movimento dentro do Executivo federal que passou a delegar ao presidente Lula a articulação com o Congresso Nacional. Atualmente, o papel é desempenhado pelo ex-deputado e atual ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT-SP). Após a decisão da Câmara, Lula chegou a minimizar a derrota e saiu em defesa de Padilha.

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"[O governo precisa] entender que o mundo não é o de 10, 15, 20 anos atrás. A política avançou muito nas suas prerrogativas. O Congresso reconquistou espaços que foram demonizados e as interlocuções precisam ser descentralizadas", disse Lira em entrevista coletiva durante o Lide - evento que reuniu autoridades, dentre elas o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

"A questão do governo não é um ministro que vai resolver. Não adianta o ministro da articulação resolver e o da Casa Civil não querer. Ou o da Casa Civil resolver e o ministro-fim não cumprir. Esses encaminhamentos de discussões de políticas públicas entre Congresso e o Executivo precisam e vão estar mais afinados", completou o presidente da Câmara.

Congresso é 'conservador e liberal'

Lira foi ainda mais direto sobre as ações do governo federal junto às duas Casas Legislativas e destacou que o perfil dos parlamentares é "conservador e liberal".

"Você não viu o que aconteceu no Saneamento?", questionou Lira a uma jornalista sobre a derrubada do decreto de Lula na Câmara.

"Você, através de um decreto modificar uma lei votada no Congresso Nacional é um retrocesso. Você querer discutir reformas aprovadas há um ano, dois anos no Congresso Nacional, é um retrocesso. Não sou eu ou o presidente [do Senado, Pacheco, que vai impor derrotas ou vitórias. É o placar do plenário", disse Arthur Lira.

"A maioria das Casas é conservadora e liberal. Determinadas pautas que nos separam, não são interessantes que sejam tratadas agora", concluiu. Lira disse, ainda, que há pautas que unem o Parlamento e o governo, como a aprovação do arcabouço fiscal - já enviada pela equipe econômica à Câmara dos Deputados - e a reforma tributária, que ainda está em discussão.

Ainda citando a questão do Marco do Saneamento, Lira disse que o país não pode passar uma imagem de "irresponsabilidade" ao exterior.

"Não podemos voltar a ter despesas maiores que a arrecadação, isso é irresponsabilidade. Não podemos passar essa imagem para o exterior, de insegurança jurídica de determinados temas que são passados e discutidos, que têm investimentos externos e que são modificados por um decreto feito sem discussão, inclusive dentro do Executivo", completou.


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Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.