Câmara de BH aprova projeto que 'devolve' pessoas em situação de rua para cidades de origem
Medida faz parte de um "pacote" aprovado recentemente no Legislativo belo-horizontino que cria políticas voltadas para a população em situação de rua

Os vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aprovaram nesta sexta-feira (15), em definitivo, o projeto de lei que prevê a criação de um programa para que pessoas em situação de rua que não são naturais da capital mineira sejam "enviadas" novamente para suas cidades de origem.
A proposta, de autoria do vereador Vile Santos (PL), faz parte de um "pacote" aprovado recentemente no Legislativo belo-horizontino que cria políticas voltadas para a população em situação de rua.
De acordo com o texto, aprovado em forma de um substitutivo, assinado pelo líder de governo na Casa, vereador Bruno Miranda (PDT), o programa é um "benefício eventual", voltado para aqueles que têm interesse em retornar para suas respectivas cidades natais.
O substitutivo argumenta que a proposta busca "o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários".
Na prática, o projeto consiste na consiste na concessão de bilhetes de passagem rodoviários ou ferroviários, sejam intermunicipais ou interestaduais, sempre com origem em Belo Horizonte.
Após a aprovação, em conversa com jornalistas, o vereador Vile Santos afirmou que a medida, se sancionada, fará com que a prefeitura atue "ativamente" na identificação de possíveis beneficiários do projeto. De acordo com ele, as prefeituras das cidades serão notificadas sobre as viagens de retorno, para que o trabalho de assistência social passe a ser feito no município de origem. "Para que isso? Para que a gente possa ajudar essa pessoa a ter um retorno em um lugar melhor, para ter uma recuperação melhor, para que ela possa ir para um abrigo ou voltar para sua casa. Assim, a gente tira a sobrecarga do sistema público de BH", explicou.
Segundo o autor da medida, a "captação" será feita por "conjunto de equipes" do Poder Público, que ficarão responsáveis por identificar as pessoas em situação de vulnerabilidade e fazer o primeiro contato. "A pessoa às vezes está desorientada, não sabe para onde vai, está sentada na praça. Vai ter profissional para reconhecer esse tipo de coisa, abordar sabendo o que está acontecendo, escutar a história dela e se encaixar no programa, será direcionada para seu município natal", disse.
A votação, no entanto, não foi unânime entre os vereadores. A líder da bancada do PT na Câmara, vereadora Luiza Dulci, afirma que o projeto é ineficiente. De acordo com ela, a preocupação é que o projeto coloque um serviço, parte da política de assistência social já existente na capital, como única alternativa viável para resolver a questão. "É uma política pública que acho, mais uma vez, que é feita sem diagnóstico, sem que a gente possa acompanhar essa pessoa, sem ter um contato com a Secretaria de Assistência Social desses outros municípios, então não será eficaz, não vai ser efetiva", argumentou.
A proposta agora segue para a sanção ou veto do prefeito da capital mineira, Álvaro Damião (União Brasil).
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



