Belo Horizonte
Itatiaia

Em meio a polêmicas, Câmara de BH pode criar regra sobre registro de presença em plenário

Projeto prevê tempo mínimo de um minuto e meio para vereadores registrarem 'quórum'

Por
Vereadores reclama de prazo dado pelo presidente da Câmara de BH, Gabriel Azevedo, para registro da presença
Vereadores reclama de prazo dado pelo presidente da Câmara de BH, Gabriel Azevedo, para registro da presença • Cláudio Rabelo/CMBH

A Câmara Municipal de Belo Horizonte pode criar uma regra para estabelecer um prazo para a chamada "verificação de quórum". Esse procedimento pode ser convocado por qualquer vereador para constatar a presença de parlamentares em plenário. Pelas regras do Legislativo municipal, a sessão só pode ter continuidade caso haja, ao menos, 21 vereadores estejam presentes (de forma presencial ou remota).

A questão provoca polêmica nas últimas semanas e um grupo de parlamentares acionou o Ministério Público de Minas Gerais contra o presidente da Câmara, vereador Gabriel Azevedo (sem partido). Segundo a representação, Azevedo tem "constrangido e usado de expedientes violentos para impedir o funcionamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte" e cria obstáculos para o prosseguimento de uma denúncia contra ele mesmo.

Um dos "obstáculos" citado no documento é o prazo curto para verificação de quórum. Na sessão desta quinta-feira (14), Gabriel Azevedo deu prazo de três segundos para que os vereadores marcassem presença no painel eletrônico da Casa. Houve protestos dos colegas.

O vereador Pedro Patrus (PT) apresentou um Projeto de Resolução para estabelecer um prazo mínimo de 1 minuto e meio para a marcação da presença no painel eletrônico. A proposta conta com apoio de 26 parlamentares.

"Não é um projeto pessoal, mas que nasce a partir de diálogo com outros vereadores. Muda o regimento interno, colocando um tempo mínimo para que o presidente encerre a verificação de quórum. Colocamos 1 minuto e meio. Antes disso, não poderá encerrar a sessão", explica.

O petista critica o prazo dado por Gabriel Azevedo, mas diz que o projeto não é contra ele, pessoalmente.

"O que temos visto é [um prazo de verificação de quórum de três, quatro, cinco segundos. Quem está online é impossível marcar com menos de 40 segundos, existe delay... queremos adequar. Não é um projeto contra quem está hoje na cadeira, mas que se faça justiça para que os vereadores tenham tempo de marcar o quórum", complementa.

Vereadores vão ao MP

Um grupo de 16 vereadores de Belo Horizonte protocolou nesta quarta-feira (13) uma representação junto ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra o presidente da Câmara Municipal, vereador Gabriel Azevedo (sem partido). Eles questionam a prática de "condutas abusivas" pela Presidência do Legislativo e infrações ao Regimento Interno da CMBH.

De acordo com os parlamentares, Azevedo tem "constrangido e usado de expedientes violentos para impedir o funcionamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte" e cria obstáculos para o prosseguimento de uma denúncia contra ele mesmo. Os vereadores também dizem que há "notório abuso de poder e autoridade" por parte do presidente da Casa.

"Requer providências imediatas, visto que, a continuidade do exposto pode causar danos irreversíveis não somente à Câmara Municipal de Belo Horizonte, mas, para todo o município, como pode se notar na 77ª Reunião Ordinária, ocorrida na data de hoje", diz trecho do documento.

Por

Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.