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Eleito como ‘pedra no sapato’ de Lula, Moro tem atuação discreta no Senado

Senador votou com o governo em 53% das oportunidades; TRE inicia julgamento que pode cassá-lo da política por até oito anos

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Senador foi eleito em 2022 e, desde então, enfrenta acusações que podem torná-lo inenegível • Roque de Sá/Agência Senado

Eleito pelo Paraná em 2022, após passagem controversa pelo time de ministros do então presidente Jair Bolsonaro, Sergio Moro chegou ao Senado com pompa e muitas expectativas. Ao ex-juiz da Operação Lava Jato, caberia a missão de ser uma pedra no sapato do governo Lula, além de carregar a bandeira da luta anticorrupção. Mas a presença de Moro no Congresso Nacional, ao contrário, se provou discreta e, em alguns momentos, até alinhada com a do governo federal. Nesta semana o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) inicia o julgamento que poderá levar à cassação de seu mandato, além de poder torná-lo inelegível por até oito anos.

O senador é acusado pela Procuradoria Regional Eleitoral no Paraná de praticar abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação social e antecipação dos gastos de campanha em 2022 para se eleger como senador pelo Paraná. As denúncias foram protocoladas pelas legendas do PT e do PL, que acusam Moro de ter se lançado como candidato a presidente naquele ano apenas para usar a estrutura partidária do Podemos — partido ao qual era filiado — e angariar popularidade para se lançar ao senado.

Processo semelhante enfrentado pelo ex-companheiro de Lava Jato, o ex-procurador do Ministério Público Federal e ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo), que teve o mandato cassado em junho de 2023. Ao contrário de Moro, que se mantém discreto sobre o processo, Deltan até hoje acusa a Justiça Eleitoral de 'combinar' cassação.

O ex-juiz da Lava Jato não declarou o voto, mas os afagos públicos a Dino, somados a conversas vazadas onde o assessor o aconselha a não declarar abertamente como votou, ajudaram a sepultar a imagem de opositor nutrida pelo senador.

O embate com Cristiano Zanin, advogado de Lula na Lava Jato que assumiu uma cadeira no Supremo, também pesou contra o ex-juiz, que nada pode fazer diante da indicação.

“Ele é um político que não se encontrou na direita e que pelo histórico, também não vai poder migrar para o governo”, avaliou um senador de oposição citando o fato de que coube a Moro a decisão de prender Lula em 2017, quando atuava na 13 Vara Federal de Curitiba.

A ‘imparcialidade’ do ex-juiz chegou a incomodar publicamente os colegas, como na vez em que foi criticado por realizar uma sessão secreta na Comissão de Segurança Pública do Senado para ouvir secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, sobre a fuga de presos no presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Na ocasião, os colegas de oposição alegaram que não havia motivos para que a reunião não fosse aberta, e lamentaram a oportunidade de criticar o governo que foi perdida.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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