Rede social pode recomendar candidato para você? Entenda regra que fez 'X' mudar algoritmo
Norma do TSE proíbe plataformas de recomendar perfis de candidatos a usuários que não os seguem durante a campanha; exceção vale para conteúdo impulsionado

A rede social X (antigo Twitter) alterou o sistema de recomendações de conteúdo durante a campanha eleitoral de 2026 após falhas no cumprimento de uma regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que impede plataformas de recomendar perfis de candidatos a usuários que não os seguem.
A norma determina, na prática, que contas declaradas pelas candidaturas à Justiça Eleitoral sejam retiradas dos mecanismos de recomendação orgânica durante o período de campanha. O objetivo é reduzir o risco de que os algoritmos das plataformas deem vantagem a determinados candidatos ao ampliar de forma desigual o alcance de seus conteúdos.
A única exceção prevista são as publicações impulsionadas mediante pagamento, desde que respeitem as regras da propaganda eleitoral.
Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, o X havia divulgado inicialmente uma lista com 665 contas submetidas ao filtro. No entanto, mais de 2,1 mil perfis de candidatos haviam sido informados ao TSE. Com isso, pelo menos 1.442 contas ficaram, em um primeiro momento, fora do bloqueio e poderiam aparecer para usuários que não acompanhavam aqueles candidatos.
Após ser questionada sobre a diferença, a plataforma ampliou a relação de contas submetidas ao filtro para quase 2,4 mil perfis. Em novos testes feitos depois da alteração, não foram identificadas recomendações de contas declaradas à Justiça Eleitoral.
O candidato pode aparecer para quem não o segue?
Sim, mas não da mesma forma. A regra não impede que candidatos mantenham perfis nas redes sociais, publiquem conteúdos ou sejam seguidos pelos eleitores. O usuário também pode acessar diretamente a página de uma candidatura e compartilhar suas publicações.
O que fica vedado é a recomendação orgânica feita pelo próprio algoritmo da plataforma para alguém que não segue aquele perfil.
Ou seja: se um eleitor segue determinado candidato, continuará vendo seus conteúdos conforme o funcionamento da rede. Se não segue, a plataforma não deve inserir automaticamente o perfil oficial ou suas publicações nas recomendações simplesmente com base no algoritmo durante o período eleitoral.
Por que o TSE criou essa regra?
A preocupação da Justiça Eleitoral é impedir que critérios internos e pouco transparentes das plataformas acabem interferindo na igualdade entre candidaturas.
Algoritmos de recomendação selecionam conteúdos com base em diferentes sinais de comportamento e engajamento. Durante uma eleição, esse mecanismo poderia fazer com que determinados candidatos fossem expostos com maior frequência aos eleitores, mesmo sem pagamento por publicidade.
A regra busca, portanto, limitar essa interferência algorítmica na escolha eleitoral. O TSE também estabeleceu restrições para sistemas de inteligência artificial, que não podem fornecer recomendações de candidaturas aos usuários.
Impulsionamento continua permitido
Mas não é o fim da propaganda eleitoral paga nas redes. Partidos, federações, coligações e candidatos podem contratar impulsionamento de conteúdo dentro das regras previstas pela Justiça Eleitoral. Nessas situações, o eleitor pode receber uma publicação de uma candidatura mesmo sem seguir o perfil porque se trata de publicidade contratada, e não de recomendação orgânica da plataforma.
A diferença é que o impulsionamento precisa seguir normas de transparência e identificação da propaganda eleitoral.
Falhas também podem ocorrer por erro das campanhas
O cumprimento da regra não depende apenas das plataformas. Segundo o levantamento, algumas contas que continuaram aparecendo nas recomendações não haviam sido informadas à Justiça Eleitoral ou tinham sido cadastradas com erros.
Isso ocorre porque os próprios candidatos precisam declarar ao TSE quais perfis utilizam durante a campanha. É a partir dessas informações que as plataformas conseguem identificar as contas que devem ser retiradas de seus sistemas de recomendação.
A alteração promovida pelo X ocorre após o início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto. A regra sobre recomendações vale durante o período eleitoral e faz parte do conjunto de normas adotadas pelo TSE para reduzir a influência dos mecanismos automatizados das plataformas na disputa de 2026.
Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público



