Haverá reviravolta na eleição ao Senado por Minas?
Depois da renúncia do candidato Marcelo Heringer (PDT), a federação PSDB-Cidadania e o PDT lançam movimento para que Aécio Neves concorra ao Senado Federal. Substituições na chapa podem ocorrer até 14 de setembro

Depois dos altos e baixos da sucessão ao governo de Minas, com a candidatura do senador Cleitinho (Republicanos) definida na data limite do registro, também a eleição das duas vagas ao Senado Federal poderá ter um fator surpresa. O presidente nacional do PSDB e deputado federal Aécio Neves avalia, neste momento, se aceitará a movimentação da coligação PDT e federação PSDB-Cidadania para que concorra ao Senado Federal.
O eleitor mineiro pode se espantar: mas, o prazo limite para o registro das candidaturas foi 5 de agosto? Sim, esse é o prazo de registros. Mas a legislação permite substituir integrantes da chapa até 14 de setembro, 20 dias antes da eleição. Nesta eleição, a chapa majoritária pode apresentar até duas candidaturas ao Senado, que precisam ter dois suplentes cada. Em geral, são mais frequentes trocas de suplentes das chapas ao Senado: após o registro, eles são substituídos ao longo da campanha, seja por um financiador ou em decorrência de algum acordo político. Essa substituição pode ocorrer em três situações. A primeira quando o registro da candidatura é indeferido, cancelado ou cassado. A segunda, quando o candidato morre. E a terceira, quando o candidato registrado renuncia.
Nesta quarta-feira, 26, o médico Marcelo Heringer (PDT), que havia sido registrado como um dos candidatos ao Senado da coligação, protocolou pedido de renúncia junto à Justiça Eleitoral. Ao mesmo tempo, a Federação PSDB Cidadania e o PDT publicaram uma nota que pede a Aécio para reconsiderar a decisão de não disputar as eleições de 2026. Em política, esse tipo de movimento coordenado nunca é casual.
O presidente estadual do PSDB, deputado federal Paulo Abi-Ackel informou a esta coluna, nesta quarta-feira, 26, à noite, que Aécio ainda está avaliando e precisa de um tempo para processar a decisão. Em entrevista à Itatiaia, em julho, Aécio declarou que na presidência do PSDB o seu objetivo nesta eleição seria trabalhar pela eleição de uma bancada de pelo menos 30 parlamentares. Em decorrência da cláusula de barreira é esperada uma nova redução de partidos políticos com bancada no Congresso. O PSDB que sofreu baixas e risco de desaparecer, luta para permanecer no jogo. Aécio anunciou que quer preparar o partido para 2030, na era que identifica como a do pós-lulismo e do pós-bolsonarismo.
A eleição ao Senado Federal está mais disputada do que a sucessão ao governo do estado. São 17 candidaturas registradas, entre elas, a de Marcelo Heringer do PDT que requereu a renúncia. Entre essas 17, quatro são candidaturas competitivas, segundo as mais recentes pesquisas de intenção de voto. Se Aécio substituir Marcelo Heringer, serão cinco nomes com maior probabilidade de apresentar melhor desempenho disputando duas cadeiras.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora


