‘O futuro começa hoje’, diz Geraldo Alckmin ao celebrar vitória de Lula
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito, com 51,74% dos votos válidos, na primeira virada no segundo turno na história das eleições desde a redemocratização

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) celebrou neste domingo (25) a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026. Alckmin agradeceu aos jovens, às mulheres e aos idosos que votaram na chapa e parabenizou o petista pela conquista de seu quarto mandato como presidente da República. “O futuro começa hoje. Queria saudar as mulheres, que fizeram toda a diferença, os idosos, que se sacrificaram e foram votar, e os homens também”, afirmou.
Ao se dirigir a Lula, o vice-presidente destacou o papel do presidente na defesa da democracia e reafirmou seu compromisso de trabalhar ao lado do petista no novo mandato. “Meu profundo respeito. O senhor, pela segunda vez, salvou a democracia brasileira. Conte conosco, com humildade e senso de responsabilidade, para trabalharmos juntos e estarmos à altura da confiança do povo brasileiro”, declarou.
Reeleição de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito, com 51,74% dos votos válidos, na primeira virada no segundo turno na história das eleições desde a redemocratização. Com 97,69% das urnas apuradas, o petista registrou 62.641.973 votos. O resultado mostra virada inédita no primeiro turno, que terminou com 47,03% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro (PL), enquanto Lula registrou 45,16%. O movimento foi principalmente impulsionado pela mobilização dos eleitores no segundo turno, tanto nas ruas quanto nas redes, que ajudou a levar o petista novamente ao Palácio do Planalto.
História de Lula
Pernambucano e sétimo filho de Dona Lindu, Lula nasceu em 27 de outubro de 1945 e migrou, ainda criança, para o estado de São Paulo em uma tentativa de escapar da seca e fome. Na capital paulista, foi alfabetizado e alcançou o diploma de torneiro mecânico, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).
A carreira profissional de Lula passou por diferentes indústrias da Região do ABC Paulista. Ali foi onde teve contato com o movimento sindical e, a partir de 1969, começou a se eleger em cargos sindicais, inicialmente como suplente, após como primeiro-secretário até se tornar presidente, reeleito em 1978. Na mesma época, os primeiros grevistas começaram a parar fábricas da região, por arrochos salariais e perdas de benefícios.
Com a prisão de líderes, as greves se fortaleceram, junto a um projeto que já vinha sendo pensado. Em 1980, o Partido dos Trabalhadores era criado por sindicalistas, intelectuais, artistas e lideranças comunitárias, incluindo Lula, vindo da necessidade de um partido político que representasse os trabalhadores.
Lula na política
Antes de chegar à Presidência, Lula passou por outras disputas eleitorais. Recém-fundado o PT, foi candidato ao governo do estado de São Paulo em 1982. Não se elegeu, mas a candidatura espalhou o partido pelo país. No ano seguinte, participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), principal central sindical do Brasil, e em 1984 foi uma das principais lideranças da campanha das “Diretas Já”.
O primeiro cargo público de fato ocupado veio em 1986, com a ocupação da cadeira parlamentar de deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte com a maior votação do país naquele pleito, recebendo 651.763 votos. No mandato (1987-1990), Lula defendeu principalmente direitos sociais dos trabalhadores e atuou como liderança de oposição aos governos José Sarney e Fernando Collor, chegando a apresentar seis projetos de lei voltados à correção salarial e a benefícios previdenciários.
- Em 1989, primeira eleição direta para presidente em 29 anos, Lula chegou ao segundo turno e perdeu por margem pequena para Fernando Collor de Mello.
- Em 1994, uma nova candidatura, derrotada já no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
- Em 1998, houve a terceira tentativa, novamente derrotado por FHC no primeiro turno.
Somente na quarta candidatura, em 2002, Lula chegou à Presidência. Venceu José Serra (PSDB) no segundo turno, e em 2006 repetiu a vitória, dessa vez sobre Geraldo Alckmin, também em segundo turno.
Nas eleições de 2010, indicou Dilma Rousseff, também do PT, como sua sucessora. Eleita e reeleita em 2014, a ex-presidenta teve o mandato interrompido por um processo de impeachment em 2016.
Lava Jato
A Operação Lava Jato, deflagrada em 2014 para investigar um esquema de corrupção na Petrobras, alterou o curso da política brasileira e de Lula. Em 2017, o então juiz federal Sérgio Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso conhecido como ‘tríplex do Guarujá”, apartamento que o Ministério Público apontava ter sido recebido como propina da empreiteira OAS.
Entretanto, em março de 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações de Lula relacionadas à Lava Jato. O caso tramitou na 13ª Vara Federal de Curitiba e Fachin entendeu que a vara não tinha competência para julgar os processos, que deveriam ter ocorrido na Justiça Federal do Distrito Federal.
Dias depois, o plenário do STF votou, por 7 votos a 4, a confirmação de que Sérgio Moro havia atuado com parcialidade ao julgar o caso, o que tornou nulos todos os atos do processo conduzidos por ele. O entendimento foi posteriormente ampliado para outros processos contra Lula, como os do sítio de Atibaia e do Instituto Lula, que deveriam seguir o mesmo caminho, fora da Vara de Curitiba.
Em 2022, o Comitê de Direitos Humanos da ONU também concluiu que houve parcialidade de Moro no julgamento dos processos contra o petista. As anulações tiveram caráter processual, relacionadas à competência do juízo e à imparcialidade do julgador, e não uma absolvição de mérito sobre os fatos investigados.
Na prática, isso significou que Lula deixou de ter qualquer condenação válida em seu nome e, consequentemente, recuperou integralmente seus direitos políticos — o que lhe permitiu concorrer e vencer as Eleições de 2022.
Quem venceu cada 2º turno presidencial desde 1989?
Desde a primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar, o Brasil realizou nove disputas pela Presidência até 2022. Sete foram decididas no segundo turno, enquanto duas terminaram na primeira votação.
Veja, abaixo, os resultados dos dois primeiros colocados em cada eleição, entre 1989 e 2022:
- 1989: Fernando Collor (PRN) recebeu 30,48% no primeiro turno, contra 17,19% de Lula (PT). Collor venceu o segundo turno com 53,03%, ante 46,97% do petista.
- 1994: Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu no primeiro turno, com 54,28% dos votos válidos. Lula ficou em segundo lugar, com 27,04%.
- 1998: Fernando Henrique Cardoso foi reeleito no primeiro turno, com 53,06% dos votos válidos, contra 31,71% de Lula.
- 2002: Lula recebeu 46,44% no primeiro turno, contra 23,20% de José Serra (PSDB). No segundo, venceu com 61,27%, ante 38,73% de Serra.
- 2006: Lula terminou o primeiro turno com 48,61%, contra 41,64% de Geraldo Alckmin (PSDB). Foi reeleito no segundo, com 60,83%, ante 39,17%.
- 2010: Dilma Rousseff (PT) recebeu 46,91% no primeiro turno, contra 32,61% de José Serra. No segundo, venceu com 56,05%, ante 43,95%.
- 2014: Dilma terminou o primeiro turno com 41,59%, contra 33,55% de Aécio Neves (PSDB). Foi reeleita no segundo, com 51,64%, ante 48,36%.
- 2018: Jair Bolsonaro (PSL) recebeu 46,03% no primeiro turno, contra 29,28% de Fernando Haddad (PT). No segundo, venceu com 55,13%, ante 44,87%.
- 2022: Lula terminou o primeiro turno com 48,43%, contra 43,20% de Jair Bolsonaro (PL). No segundo, venceu com 50,90%, ante 49,10%.
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e pós-graduado em Jornalismo nos Ambientes Digitais pela mesma instituição. Possui experiência como repórter, produtor e coordenador de telejornal.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.





