Com a reeleição, Lula conquista mais uma vitória contra família Bolsonaro
Primeira vitória de Luiz Inácio Lula da Silva aconteceu em 2022, quando venceu a tentativa de reeleição do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro; em 2026, petista derrota primogênito Flávio Bolsonaro

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República neste domingo (25) marca, também, mais uma vitória de Lula contra a família Bolsonaro: Flávio Bolsonaro (PL), o primogênito do ex-presidente Jair, foi quem disputou o segundo turno das Eleições 2026.
Lula ainda conquistou feitos inéditos na história da política brasileira: conseguiu uma virada na disputa, após a vitória de Flávio Bolsonaro 47,03% dos votos, ante 45,16%. Ele também é o primeiro a ser eleito pela quarta vez à Presidência desde a redemocratização do Brasil.
A reeleição do petista em 2026 foi confirmada matematicamente às 21h10 deste domingo (25), com Lula alcaçando 51,74% dos votos (62.641.973) contra 48,26% (58.436.437) dos votos destiandos a Flávio Bolsonaro. Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A primeira vitória de Lula contra a família Bolsonaro foi em 2022, quando tornou-se presidente da República após vencer o então presidente, Jair Messias Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição. No dia 30 de outubro do mesmo ano, com 98,91% das urnas apuradas, Lula foi considerado eleito após receber 59.563.912 votos (50,83% dos votos válidos), contra 57.675.427 votos (49,17% dos votos válidos) de Bolsonaro.
O início do mandato de Lula após vencer Jair Bolsonaro pelo 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes que estavam acampados em frente ao quartel do Exército se organizaram para um ato contra a eleição do petista. Muitos pediam a intervenção das Forças Armadas e a ocupação dos Três Poderes. Em seguida, as sedes dos Três Poderes em Brasília — o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto — foram invadidas.
Em 11 de novembro de 2025, o STF fixou em 27 anos e 3 meses a pena de Jair Bolsonaro, condenado pelos cinco crimes, entre eles tentativa de golpe de Estado, pelos quais foi acusado na ação penal da trama golpista. Ainda foram aplicadas multas. Neste momento, Jair cumpre pena em prisão domiciliar. Outros sete aliados também foram condenados.
Virada e 4º mandato de Lula na Presidência
Após concorrer sem sucesso nas eleições de 1989, 1994 e 1998, Lula foi eleito Presidente da República pela primeira vez em 2002, e reeleito em 2006. Em seguida, mesmo mantendo forte influência política e indicando Dilma Rousseff enquanto sucessora, enfrentou um período conturbado: foi investigado, denunciado e preso no âmbito da Operação Lava Jato.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) indicou irregularidades no processo e anulou as condenações contra Lula devido à incompetência da vara de Curitiba e à parcialidade reconhecida do ex-juiz Sérgio Moro, governador eleito no Paraná, restabelecendo seus direitos políticos. No ano seguinte, derrotou Jair Bolsonaro, então presidente da República, e retornou ao Palácio do Planalto.
Confira, abaixo, um pouco sobre a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva:
História de Lula
Pernambucano e sétimo filho de Dona Lindu, Lula nasceu em 27 de outubro de 1945 e migrou, ainda criança, para o estado de São Paulo em uma tentativa de escapar da seca e fome. Na capital paulista, foi alfabetizado e alcançou o diploma de torneiro mecânico, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).
A carreira profissional de Lula passou por diferentes indústrias da Região do ABC Paulista. Ali foi onde teve contato com o movimento sindical e, a partir de 1969, começou a se eleger em cargos sindicais, inicialmente como suplente, após como primeiro-secretário até se tornar presidente, reeleito em 1978. Na mesma época, os primeiros grevistas começaram a parar fábricas da região, por arrochos salariais e perdas de benefícios.
Mesmo sob as repressões policiais, cerca de 200 mil operários pararam o ABC paulista e criaram mecanismos inéditos de organização, como os fundos de greve. Mas a resposta do regime militar foi dura, com intervenção no sindicato e prisão de lideranças. Em 1980, durante intervenção federal no sindicato, Lula foi preso com base na Lei de Segurança Nacional, por policiais do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), ficando detido por aproximadamente um mês.
Com a prisão de líderes, as greves se fortaleceram, junto a um projeto que já vinha sendo pensado. Em 1980, o Partido dos Trabalhadores era criado por sindicalistas, intelectuais, artistas e lideranças comunitárias, incluindo Lula, vindo da necessidade de um partido político que representasse os trabalhadores.
Lula na política
Antes de chegar à Presidência, Lula passou por outras disputas eleitorais. Recém-fundado o PT, foi candidato ao governo do estado de São Paulo em 1982. Não se elegeu, mas a candidatura espalhou o partido pelo país.
No ano seguinte, participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), principal central sindical do Brasil, e em 1984 foi uma das principais lideranças da campanha das “Diretas Já”.
O primeiro cargo público de fato ocupado veio em 1986, com a ocupação da cadeira parlamentar de deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte com a maior votação do país naquele pleito, recebendo 651.763 votos.
No mandato (1987-1990), Lula defendeu principalmente direitos sociais dos trabalhadores e atuou como liderança de oposição aos governos José Sarney e Fernando Collor, chegando a apresentar seis projetos de lei voltados à correção salarial e a benefícios previdenciários.
Depois da redemocratização, Lula passou a concentrar suas energias na disputa presidencial e o caminho foi mais longo do que se costuma lembrar:
- Em 1989, primeira eleição direta para presidente em 29 anos, Lula chegou ao segundo turno e perdeu por margem pequena para Fernando Collor de Mello.
- Em 1994, uma nova candidatura, derrotada já no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
- Em 1998, houve a terceira tentativa, novamente derrotado por FHC no primeiro turno.
Somente na quarta candidatura, em 2002, Lula chegou à Presidência. Venceu José Serra (PSDB) no segundo turno, e em 2006 repetiu a vitória, dessa vez sobre Geraldo Alckmin, também em segundo turno.
Governou de 2003 a 2010, ao longo de dois mandatos consecutivos. Ao final do segundo mandato, sua avaliação com a população era positiva e recorde. Pesquisa do Ibope da época indicava 80% de aprovação.
Nas eleições de 2010, indicou Dilma Rousseff, também do PT, como sua sucessora. Eleita e reeleita em 2014, a ex-presidenta teve o mandato interrompido por um processo de impeachment em 2016.
Lava Jato
A Operação Lava Jato, deflagrada em 2014 para investigar um esquema de corrupção na Petrobras, alterou o curso da política brasileira e de Lula. Em 2017, o então juiz federal Sérgio Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso conhecido como ‘tríplex do Guarujá”, apartamento que o Ministério Público apontava ter sido recebido como propina da empreiteira OAS.
Lula se entregou à Polícia Federal em abril de 2018 e ficou preso até novembro do ano seguinte, quando o Supremo Tribunal Federal alterou o entendimento sobre prisão após condenação em segunda instância. Ao todo, foram 580 dias atrás das grades.
Entretanto, em março de 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações de Lula relacionadas à Lava Jato. O caso tramitou na 13ª Vara Federal de Curitiba e Fachin entendeu que a vara não tinha competência para julgar os processos, que deveriam ter ocorrido na Justiça Federal do Distrito Federal.
Dias depois, o plenário do STF votou, por 7 votos a 4, a confirmação de que Sérgio Moro havia atuado com parcialidade ao julgar o caso, o que tornou nulos todos os atos do processo conduzidos por ele. O entendimento foi posteriormente ampliado para outros processos contra Lula, como os do sítio de Atibaia e do Instituto Lula, que deveriam seguir o mesmo caminho, fora da Vara de Curitiba.
Em 2022, o Comitê de Direitos Humanos da ONU também concluiu que houve parcialidade de Moro no julgamento dos processos contra o petista. As anulações tiveram caráter processual, relacionadas à competência do juízo e à imparcialidade do julgador, e não uma absolvição de mérito sobre os fatos investigados.
Na prática, isso significou que Lula deixou de ter qualquer condenação válida em seu nome e, consequentemente, recuperou integralmente seus direitos políticos — o que lhe permitiu concorrer e vencer as Eleições de 2022 e, consequentemente, derrotar a tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



