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Mulheres na Urna: quantas foram eleitas no Brasil em 2026? Representação ainda é minoria

Mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, mas ocupam pouco mais de um quinto das cadeiras da Câmara dos Deputados; representação também é minoritária no Senado Federal, governos e assembleias estaduais

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MULHERES NA URNA
Mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, mas ocupam pouco mais de um quinto das cadeiras da Câmara dos Deputados. • Reprodução | Canva

Apesar de serem a maioria do eleitorado brasileiro nas Eleições de 2026, as mulheres seguem ocupando menos de um quarto dos espaços de poder no país, escancarando a lacuna entre a maioria nas urnas e a presença real na política. Embora o pleito tenha registrado avanços no Legislativo — com números recordes na Câmara dos Deputados e no Senado —, a sub-representação permanece crítica nos Executivos estaduais, onde apenas uma governadora foi eleita no primeiro turno em todo o Brasil.

Em Minas Gerais, o pleito em 4 de outubro foi marcado pela votação expressiva das candidatas do Partido dos Trabalhadores (PT) Ana Elisa Santos Silva, Beatriz Cerqueira e Marília Campos, eleitas as mulheres mais votadas do estado para a Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa e Senado, respectivamente. O feito local simboliza o avanço das mulheres no Legislativo em todo o país, embora elas ainda não ocupem 25% das cadeiras do Congresso Nacional.

Essa é a terceira reportagem da série "Mulheres na Urna", publicada semanalmente no portal da Itatiaia às sextas-feiras. Na última semana, contamos a história de quem carrega o legado do voto feminino, em diferentes gerações: Marianna Jardim, jovem de 19 anos que votou pela primeira vez esse ano, e Rute Silva, que com 71, que mesmo com o voto facultativo foi à urna em 4 de outubro. Antes, relatamos a vida de Celina Guimarães Viana, a primeira mulher a votar no Brasil, antes mesmo de o voto feminino se tornar um direito no país.

Mulheres na Urna: um raio-x das eleições 2026

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil tem 83,9 milhões de eleitoras aptas a votar, o equivalente a 52,84% do total de pessoas habilitadas a participar das eleições. Mesmo sendo maioria nas urnas, as mulheres ainda não alcançam um quarto das cadeiras do Congresso Nacional.

Na Câmara dos Deputados, 109 mulheres foram eleitas em 2026, contra 90 no pleito de 2022. Pelos próximos quatro anos, elas ocuparão 21,2% das 513 vagas da Casa a partir de fevereiro de 2027. O aumento corresponde a 19 deputadas em relação à eleição anterior. Em 2026, a deputada federal Erika Hilton (Psol) foi reeleita como a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados, alcançando 1,5 milhão de votos em São Paulo.

Confira a composição da Câmara:

No Senado Federal, 12 mulheres foram eleitas nestas eleições, o maior número de mulheres escolhidas em um único pleito para a Casa desde a redemocratização. Como outras seis senadoras têm mandatos que seguem até 2031, a bancada feminina poderá chegar a 18 parlamentares em 2027, caso todas permaneçam no exercício dos mandatos. Em 2026, a senadora mulher mais votada do país foi Carol de Toni (PL), eleita por Santa Catarina com 2.694.918 votos (33,46% dos votos válidos).

A presença feminina também cresceu nas assembleias legislativas estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Ao todo, 218 mulheres foram eleitas para esses espaços, ante 191 em 2022. Elas representarão 20,6% das cadeiras estaduais e distritais.

Mulheres nos governos estaduais

A disputa pelos governos estaduais também evidencia a diferença entre a participação feminina e a masculina nos espaços de poder. Das 20 eleições para governador definidas no primeiro turno, apenas uma mulher foi eleita: Raquel Lyra (PSD), reeleita em Pernambuco, com 53,27% dos votos.

Outras quatro candidatas seguem na disputa do segundo turno, marcado para 25 de outubro: Mailza Assis (PP), no Acre; Professora Maria do Carmo (PL), no Amazonas; Celina Leão (PP), no Distrito Federal; e Professora Dorinha (União), no Tocantins. Todas enfrentam candidatos homens.

Os dados mostram que a ampliação da presença feminina no Legislativo não se repete, na mesma proporção, nas disputas pelos governos estaduais.

Qual o cenário em Minas Gerais?

As três mulheres eleitas com o maior número de votos para os cargos de deputada federal, deputada estadual e senadora em Minas Gerais, são do Partido dos Trabalhadores (PT): Ana Elisa, Beatriz Cerqueira e Marília Campos, respectivamente. Conheça abaixo um pouco da trajetória delas:

Ana Elisa Santos Silva foi a segunda candidata a deputado federal mais votada em Minas Gerais em 2026, com 524.219 votos. Ela também é a mulher mais votada do estado para a Câmara dos Deputados e a primeira entre as candidaturas do PT no estado.

Nascida em Divinópolis-MG em 31 de agosto de 2005, foi eleita aos 21 anos. Ana Elisa ganhou ampla projeção nas redes sociais produzindo conteúdos sobre política, igualdade racial, feminismo e direitos sociais. É estudante universitária de Direito e atuou anteriormente como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG).

Entre suas principais pautas de campanha estão o fim da escala de trabalho 6x1, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, a criação do passe livre estudantil, investimentos em universidades federais e institutos tecnológicos, além de políticas de proteção ao primeiro emprego e combate ao racismo.

Beatriz Cerqueira, professora da rede pública e formada em Direito, foi reeleita deputada estadual por Minas Gerais, com 328.402 votos — a segunda maior votação para o cargo no estado. É o terceiro mandato dela na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Nascida em Belo Horizonte, em 3 de março de 1978, construiu sua trajetória pública vinculada à educação pública e ao movimento sindical dos trabalhadores do ensino em Minas Gerais. Na ALMG, atuou ativamente na Comissão de Educação, destacando-se na fiscalização de orçamentos estaduais, no debate sobre a gestão fiscal do governo de Minas Gerais e na defesa do ensino público.

Sua atuação política é focada na valorização do magistério e dos servidores estaduais, na garantia do piso salarial dos educadores, no combate à privatização de escolas e em investimentos para a rede pública de ensino.

Marília Aparecida Campos, psicóloga e sindicalista, foi eleita senadora da República pelo estado de Minas Gerais, alcançando a segunda vaga do estado ao Senado Federal com 3.990.864 votos (19,44%).

Nascida em Ouro Branco-MG em 14 de setembro de 1959, Marília iniciou a militância política no movimento estudantil e no PT na década de 1980. Foi presidente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região.

A principal base política dela foi construída em Contagem, na Região Metropolitana de BH, onde governou a cidade por múltiplos mandatos (eleita em 2004, reeleita em 2008, e novamente eleita em 2020 e reeleita em 2024). Também atuou como deputada estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com foco em pautas de desenvolvimento municipal, direitos sociais e igualdade de gênero.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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