Justiça Eleitoral manda Bia Kicis retirar vídeo contra Leila do Vôlei e proíbe novas publicações
TRE-DF entendeu que candidata do PL divulgou afirmação sem comprovação ao dizer que assessores da adversária foram condenados por corrupção; decisão prevê multa diária de R$ 5 mil

A Justiça Eleitoral do Distrito Federal determinou que a candidata ao Senado Bia Kicis (PL-DF) retire das redes sociais um vídeo em que acusa a adversária Leila do Vôlei (PDT-DF) de ter assessores condenados por corrupção. A decisão foi assinada na quarta-feira (30) pelo juiz Carlos Alberto Martins Filho, do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).
Além da exclusão do conteúdo, o magistrado proibiu Bia Kicis de publicar novas mensagens com o mesmo teor em relação à chefe de gabinete de Leila do Vôlei. Em caso de descumprimento da ordem judicial, foi fixada multa diária de R$ 5 mil. O mérito da ação ainda será analisado pela Justiça.
O que motivou a decisão
No vídeo questionado, Bia Kicis afirma que está sendo alvo de ataques da adversária e declara que Leila do Vôlei "tem assessores condenados por corrupção trabalhando no gabinete dela".
Ao analisar o pedido de tutela de urgência apresentado pela campanha de Leila, o juiz concluiu que a publicação traz uma imputação de fato que não foi acompanhada de elementos que comprovassem a acusação.CNa decisão, o magistrado classificou a afirmação como uma "imputação inverídica ou gravemente descontextualizada".
Segundo o juiz, a declaração não foi apresentada como opinião ou referência à existência de uma investigação ou processo em andamento, mas sim como um fato consumado: "Ao dizer que 'os funcionários foram condenados por corrupção e tudo comprovado', seguida da especificação 'a chefe de gabinete, o tesoureiro, o advogado', a publicação veicula imputação factual determinada e suscetível de verificação objetiva", escreveu o magistrado.
Argumentos da campanha de Leila
Na ação, a campanha de Leila do Vôlei sustentou que a pessoa mencionada por Bia Kicis como chefe de gabinete não responde a processos cíveis nem criminais.
Os advogados também afirmaram que outro trecho do vídeo faz referência a uma representação eleitoral envolvendo a empresa Bia Brasil Moda Feminina, mas argumentaram que a candidata do PL utilizou esse episódio para reforçar acusações que não possuem relação direta com o caso.
Risco de influência sobre o eleitor
Na decisão, o juiz destacou que a permanência do vídeo nas redes sociais poderia ampliar os efeitos da divulgação da informação antes que houvesse o contraditório no processo.
Segundo o magistrado, a continuidade da circulação do conteúdo poderia influenciar o eleitorado com base em uma acusação ainda não demonstrada judicialmente.
Por esse motivo, determinou a retirada imediata da publicação e proibiu novas manifestações com o mesmo conteúdo até nova deliberação da Justiça.
A decisão tem caráter liminar e trata apenas da retirada do conteúdo das redes sociais durante o andamento do processo. O mérito da ação, que definirá se houve ou não propaganda eleitoral irregular ou divulgação de informação falsa — ainda será julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.


