Jovens eleitos de esquerda cobram mudanças na comunicação de Lula para o 2º turno
Encontro reúne Ana Elisa, Pedro Rousseff e Jones Manoel, que apontam a necessidade de rever os temas levados ao eleitor e ampliar a presença digital para recuperar votos e reduzir a abstenção no segundo turno

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa mudar o foco do discurso no segundo turno e falar mais sobre o futuro do país, segundo o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), que recebeu 249.077 votos e teve a segunda maior votação para a Câmara em Pernambuco. Em entrevista nesta quarta-feira (7), o parlamentar eleito defendeu que a estratégia não se limite à defesa do legado dos atuais mandatos de Lula, mas também apresente propostas capazes de dialogar com trabalhadores e jovens.
Jones Manoel é um dos jovens candidatos de esquerda eleitos neste ano que passaram a ser ouvidos pela campanha de Lula em busca de sugestões para a comunicação no segundo turno. Nesta quarta-feira, o presidente recebeu parlamentares eleitos pelo país, entre eles, Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, e Pedro Rousseff (PT-MG), de 26, ambos com forte atuação nas redes sociais. Os candidatos eleitos, em sua maioria, defendem mudanças na forma como a campanha se comunica e na escolha dos temas apresentados aos eleitores.
Ana Elisa recebeu mais de 524 mil votos e foi a mulher mais votada para a Câmara na história de Minas Gerais. Ela ficou atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL) entre os candidatos eleitos no estado. Com mais de 2,5 milhões de seguidores no Instagram, a petista produz conteúdo sobre política, racismo, feminismo e trabalho.
Pedro Rousseff foi eleito deputado federal com 118.567 votos. Administrador e sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff, ele tem cerca de 1,1 milhão de seguidores no Instagram, onde publica principalmente conteúdo político.
Deputado defende discurso voltado ao futuro
Jones Manoel avalia que o primeiro turno teve forte concentração na defesa do legado de Lula e, no segundo turno, a campanha precisa apresentar uma agenda para o futuro.
“Eu acho que a campanha do presidente Lula precisa falar muito mais de futuro. Acho que o primeiro turno foi muito focado num debate sobre o legado do presidente Lula, que é importante. Só que no segundo turno é importante não só desconstruir o adversário, mostrar o perigo que o Flávio Bolsonaro representa para o Brasil, mas também apontar para o futuro.”
O historiador e youtuber defende que a campanha combine a crítica ao adversário com propostas direcionadas principalmente à classe trabalhadora e à juventude. Entre os exemplos citados por ele estão a tarifa zero no transporte público, a expansão do sistema metroferroviário, o fim da escala 6x1 e um projeto de reindustrialização do país para geração de empregos.
O parlamentar também afirma que a agenda econômica precisa ocupar mais espaço na campanha, diante de problemas como o aumento do custo de vida, dos aluguéis e as dificuldades de mobilidade urbana.
“Há uma insatisfação muito grande com as condições de vida, de maneira geral, nas grandes cidades do nosso país, com aumento do custo de vida, aumento do preço dos aluguéis, com os salários baixos, com o transporte, a mobilidade urbana que não funciona, com os serviços públicos que estão aquém do necessário. Então, colocar essa agenda econômica no centro é fundamental.”
Redes sociais são prioridade
A comunicação digital é outro ponto comum entre os jovens políticos ouvidos pela campanha. Jones Manoel avalia que a atuação do grupo de Lula nas redes sociais precisa ser mais efetiva, especialmente para alcançar jovens e mulheres.
“Acho que há um consenso na campanha do presidente Lula que a comunicação digital precisa melhorar bastante, precisa ser muito mais efetiva para a gente conseguir, em particular, trazer a juventude e as mulheres e reverter a queda de votos que o presidente teve em algumas regiões do Brasil, como no caso do Sudeste brasileiro.”
O deputado eleito afirmou que pretende ajudar diretamente na estratégia digital da campanha. Jones Manoel tem cerca de 2,1 milhões de seguidores no Instagram e quase 700 mil inscritos no YouTube, onde publica conteúdo político relacionado à esquerda.
“Estou extremamente dedicado à vitória do presidente Lula no segundo turno e, inclusive, me ofereci para ajudar na comunicação digital, na disputa pela juventude e também para rodar o país, se eles quiserem.”
Segundo turno
Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL recebeu 47,03% dos votos, contra 45,16% do petista. Desde o resultado, a campanha passou a reunir parlamentares eleitos e integrantes da esquerda para discutir como ampliar a mobilização nas três semanas que antecedem o segundo turno.
A participação de candidatos com grande alcance nas redes sociais faz parte desse esforço. Além de Ana Elisa, Pedro Rousseff e Jones Manoel, outros parlamentares e influenciadores ligados à esquerda vêm sendo chamados para contribuir com a estratégia digital e com a definição dos temas que devem ocupar o centro da campanha.
A intenção é combinar uma comunicação mais presente nas redes com uma agenda de propostas voltadas a questões econômicas e sociais que afetam o cotidiano dos eleitores.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio
Jornalista pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e pós-graduanda em política e relações internacionais na FAAP, atua na cobertura de Congresso Nacional e Judiciário na Itatiaia em Brasília. Ilustradora, também faz reportagens especiais de jornalismo em quadrinhos. Com passagens por CNN Brasil, SBT News, SBT Brasil e Correio Braziliense.




