Em campanha no Ceará, Lula chama adversário de “vira-lata” por apoio a Trump
Presidente defendeu a soberania brasileira, criticou políticos alinhados ao presidente dos EUA e disse que eleição definirá os rumos do país. Pleito está marcado para 4 de outubro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, elevou o tom contra a oposição durante um ato de campanha em Fortaleza, nesta terça-feira (29). Ao defender a soberania brasileira, Lula afirmou que a eleição vai definir se o país será independente ou terá políticos alinhados aos interesses dos Estados Unidos.
Durante o discurso, o presidente questionou a postura de adversários que, segundo ele, buscam apoio do presidente norte-americano Donald Trump.
“É se o Brasil vai ser dono do seu quintal ou se vai vir aqui alguém dar palpite na nossa vida. Se a gente vai eleger uma pessoa que tem caráter, biografia e que tem compromisso com o Brasil, ou um vira-lata que vive puxando o saco do Trump. É isso que está em jogo”, afirmou Lula.
A declaração foi feita no momento em que o presidente reforçava o discurso de soberania nacional, uma das principais bandeiras de sua campanha nesta reta final do primeiro turno.
Embora Lula tenha usado a expressão “vira-lata” sem citar Flávio Bolsonaro nominalmente nesse trecho, a fala ocorreu em meio à disputa direta com o senador do PL, que também é candidato à Presidência. O presidente tem associado o adversário e integrantes da família Bolsonaro à atuação política nos Estados Unidos.
Lula cita ações do governo e critica Bolsonaro
No comício, Lula também comparou ações de seu governo com medidas adotadas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O petista citou investimentos no Sistema Único de Saúde, atendimento odontológico e distribuição de livros didáticos. Em seguida, criticou a política de armas adotada pelo governo anterior.
“Enquanto o Bolsonaro distribuiu um bilhão e 800 milhões de balas e um milhão de armas, nós distribuímos 213 milhões de livros didáticos para nossas crianças nas escolas”, disse.
Lula também afirmou que ainda há muito a ser feito no país e citou avanços que atribuiu ao atual governo nas áreas de saúde e educação. As declarações fazem parte da estratégia de campanha de apresentar diferenças entre os projetos políticos em disputa.
Soberania vira tema central da campanha
Ao tratar da relação com os Estados Unidos, Lula voltou a defender que o Brasil tenha autonomia para explorar seus recursos naturais e desenvolver tecnologia própria.
O presidente citou especificamente as terras raras e os chamados minerais críticos, considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia e indústria.
“Tenho certeza que vocês querem que as terras raras e os minerais críticos sejam explorados, transformados e industrializados por nós”, afirmou.
A defesa da soberania tem ocupado espaço crescente nos discursos de Lula nas últimas semanas. Na segunda-feira (28), durante um ato em Belém, o presidente mandou um recado direto a Trump e afirmou que o norte-americano não deveria interferir nas eleições brasileiras.
Em Fortaleza, Lula retomou o argumento de que o Brasil deve decidir seus próprios rumos. A estratégia também aparece em peças da campanha petista, que associam Flávio Bolsonaro à aproximação com os Estados Unidos e apresentam a soberania como um dos temas da eleição.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



