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'É um livro fechado', diz Flávio Bolsonaro sobre relação com Vorcaro

Candidato do PL foi questionado na sabatina do Jornal Nacional sobre os R$ 61 milhões repassados pelo ex-dono do Banco Master ao filme sobre Jair Bolsonaro; senador negou irregularidade e afirmou que não recebeu dinheiro

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Flávio Bolsonaro (PL), candidato a Presidência da República
Flávio Bolsonaro (PL) foi questionado sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro na sabatina do Jornal Nacional desta sexta-feira (28) • Reprodução / TV Globo

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou em sabatina ao Jornal Nacional na noite desta sexta-feira (28) que sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro é "um livro fechado" e negou irregularidades no financiamento do filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Esse é um livro que está fechado, ressignificado e na prateleira, para quem quiser abrir e ter acesso a hora que quiserem", disse o senador ao ser questionado pela apresentadora Renata Vasconcellos.

O caso

Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, está preso desde novembro de 2025. A instituição foi liquidada pelo Banco Central no mesmo mês, no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. O caso é apontado como a maior fraude bancária já registrada no país, com prejuízo estimado em R$ 41 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos.

Reportagem do Intercept Brasil publicada em maio revelou áudios e documentos que indicam negociação entre o senador e o banqueiro para o financiamento de "Dark Horse", filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.

Os registros apontam compromisso de repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, dos quais ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações.

Parte do valor, US$ 2 milhões, teria sido transferida a um fundo sediado no Texas que tem entre os responsáveis legais um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal apura se o dinheiro foi de fato destinado à produção ou se o filme serviu para encobrir o repasse. Flávio nega que os recursos tenham beneficiado o irmão.

As perguntas e as respostas

Renata Vasconcellos apontou uma sequência de mudanças na versão do senador. Segundo a jornalista, ele primeiro negou ter pedido dinheiro a Vorcaro, e depois vieram a público áudios mostrando que pediu e cobrou os repasses. Também omitiu ter se encontrado com o banqueiro e, posteriormente, reconheceu a visita à casa dele no dia seguinte à saída da prisão.

Flávio respondeu que não há ilegalidade na captação. "Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento privado para um filme sobre o próprio pai", afirmou.

O candidato negou ter recebido os valores pessoalmente. "Não recebi dinheiro nenhum", disse, sustentando que o patrocínio foi destinado à produtora e que sua contribuição foi autorizar o uso da própria imagem para atrair investidores.

O senador comparou o caso a patrocínios feitos pelo mesmo banqueiro a empresas do Grupo Globo. A apresentadora respondeu que as relações da emissora com anunciantes são pautadas pelo cumprimento das leis, pela autorregulamentação publicitária e registradas com transparência.

A cobrança por documentos

Vasconcellos questionou por que o senador não apresentou o contrato com Vorcaro, a planilha detalhada dos gastos, os nomes de todos os investidores e o destino final dos recursos.

A jornalista citou reportagem do g1 segundo a qual o perito contratado pela produtora não acessou o fundo americano que recebeu o dinheiro, não apresentou notas fiscais nem comprovantes de transferência e não esclareceu a origem e o destino de R$ 75 milhões.

Flávio afirmou que a prestação de contas foi entregue antes do prazo de 30 dias que havia estipulado à produtora e citou perícia que, segundo ele, concluiu não haver recursos públicos envolvidos. Disse ainda que os custos do filme superaram o valor do patrocínio recebido.

A resposta que mira Lula

Ao ser questionado se era adequado um senador visitar a casa de um banqueiro investigado por fraudes bilionárias, Flávio redirecionou a crítica ao adversário. "O que não é adequado é um presidente da República receber em reunião secreta um banqueiro prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco", disse, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O candidato afirmou ter assinado o requerimento de criação da CPMI do Banco Master e defendeu que a comissão seja instalada para apurar as relações do banqueiro com integrantes do governo.

A sabatina

As entrevistas do Jornal Nacional reúnem os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto, com 40 minutos cada, divididos em dois blocos e considerações finais. A ordem foi definida por sorteio com representantes das campanhas.

Já passaram pela série Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Lula (PT). Augusto Cury (Avante) encerra a rodada neste sábado (29).

O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.

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Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.

 

 

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