Conheça a trajetória de Joaquim Barbosa, pré-candidato à Presidência
Ex-presidente do STF e relator do mensalão, o jurista disputa a primeira eleição de sua vida e se lança ao Palácio do Planalto pelo Democracia Cristã

Ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa (DC) é pré-candidato à Presidência da República em 2026, na primeira disputa eleitoral de sua vida. Reconhecido nacionalmente pela trajetória jurídica, ele chega à corrida presidencial com a notoriedade construída em mais de uma década no Supremo.
Na corrida pelo Palácio do Planalto, Barbosa se apresenta com um discurso de ética pública, combate a privilégios e defesa das instituições. A candidatura foi confirmada pelo Democracia Cristã em maio e ainda será oficializada na convenção partidária, prevista para agosto.
Joaquim Benedito Barbosa Gomes nasceu em 7 de outubro de 1954, em Paracatu, no noroeste de Minas Gerais. De origem humilde, mudou-se ainda jovem para Brasília, onde seguiu os estudos e a carreira pública.
Da magistratura ao Supremo
Barbosa formou-se em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e concluiu doutorado em Direito Público pela Universidade de Paris-II, na França. Atuou como professor universitário e chegou a trabalhar no serviço diplomático antes de se firmar na carreira jurídica.
Ingressou na carreira de procurador da República, que exerceu por cerca de uma década, com passagens por Brasília e pelo Rio de Janeiro. Foi nesse período que se consolidou no meio jurídico, antes de chegar à mais alta corte do país.
A chegada ao Supremo
Em 2003, Barbosa foi indicado ao STF pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tornou-se o primeiro ministro negro a integrar a Corte em 66 anos — antes dele, o último havia sido Hermenegildo de Barros, que deixou o tribunal em 1937.
No Supremo, votou a favor do reconhecimento da união homoafetiva e da realização de pesquisas com células-tronco embrionárias, temas de grande repercussão julgados pela Corte no período.

O julgamento do mensalão
A maior projeção pública de Barbosa veio com a relatoria da Ação Penal 470, o processo do mensalão, que apurou um esquema de compra de apoio político no Congresso durante o primeiro governo Lula. O julgamento, em 2012, foi um dos mais longos da história do STF.
A ação teve 38 réus e resultou em 25 condenações, entre elas a do ex-ministro José Dirceu. A condução do caso deu a Barbosa notoriedade nacional.
A presidência do STF
Ainda em 2012, Barbosa assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal, tornando-se o primeiro negro a comandar a Corte. Permaneceu no cargo até 31 de julho de 2014, quando se aposentou de forma antecipada, deixando a magistratura.
O ensaio político de 2018
A possibilidade de Barbosa disputar a Presidência não é nova. Em 2018, ele se filiou ao PSB diante de uma eventual candidatura ao Planalto e chegou a aparecer em pesquisas de intenção de voto. Naquele momento, porém, decidiu não concorrer e deixou o partido.
A pré-candidatura em 2026
A entrada de Barbosa na disputa de 2026 se concretizou após a filiação ao Democracia Cristã, no início de abril, seguida da confirmação da pré-candidatura pela direção da legenda, em maio.
O movimento surpreendeu os bastidores políticos, porque o DC havia lançado em janeiro a pré-candidatura do ex-deputado Aldo Rebelo, que não havia pontuado nas pesquisas presidenciais. Sem representantes no Congresso, o partido tem acesso limitado ao tempo de propaganda no rádio e na televisão e aposta na projeção nacional do ex-ministro para ganhar visibilidade na corrida.
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.




