Sem Cleitinho, eleição em Minas não tem protagonistas claros nem à esquerda, nem à direita
Definição nas urnas dependerá de diversos fatores que, nos próximos dias, vão completar os palanques de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva no estado

A decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) de não ser candidato ao Governo de Minas sacode radicalmente o tabuleiro eleitoral no estado e deixa uma eleição aberta, sem favoritos claros ao Palácio Tiradentes. A definição, que veio após meses de hesitação do parlamentar, faz com que, tanto à direita, quanto à esquerda, os nomes colocados não desenhem uma eleição com protagonismo de alguma candidatura, mas abram caminho para a construção de um nome que, durante a campanha, chegará à cadeira no governo.
O Republicanos anunciou, na tarde desta segunda-feira (3), que o senador Cleitinho Azevedo não disputará o Governo de Minas. A decisão foi tomada após reunião em Brasília entre o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, e o presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, além do próprio senador. Pereira afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que deu “várias oportunidades” para que Cleitinho alinhasse uma candidatura ao Palácio Tiradentes, que não foram correspondidas pelo parlamentar.
“Debatemos exaustivamente esse tema, ligamos para os possíveis partidos aliados, para o PL, para o União, para o PP, e o Cleitinho tomou uma decisão, espontaneamente, diante do momento difícil que ele está passando”, afirmou o presidente do partido. Aos prantos, Cleitinho disse que precisava se dirigir ao povo mineiro para pedir "perdão" por não ser candidato nas eleições deste ano. "Não está fácil para mim e para a minha família. Não adianta entrar em uma campanha agora do jeito que eu estou. Tenho que ser honesto, falar a verdade", lamentou o parlamentar.
A ausência de Cleitinho nas urnas afeta, principalmente, a direita e a centro-direita em Minas Gerais, que agora correm contra o tempo para, em até dois dias, indicar nomes que vão disputar o Palácio Tiradentes. No PL, há a possibilidade – mais latente – de que o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) Flávio Roscoe seja o nome para o governo, enquanto ronda também a possibilidade de que o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli (PL), seja o escolhido pelo partido.
Uma terceira opção, que ganhou força nas últimas semanas, é o partido de Jair Bolsonaro apoiar uma possível empreitada de Marcelo Aro (PP), ex-aliado do governador Mateus Simões (PSD), rumo ao Governo de Minas. As definições podem ser divulgadas ainda nesta segunda durante a convenção da federação União-PP, que ocorre às 18h. Simões, por sua vez, corre pelas beiradas para tentar a reeleição, sem crescimento significativo nas pesquisas de intenção de voto nos últimos meses.
À esquerda, o deputado federal Patrus Ananias (PT) ganha uma oportunidade com o desembarque de Cleitinho: ser o nome que pode conquistar, além do campo progressista, o centro. Próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Patrus articula para ter em seu entorno o PSB, de Geraldo Alckmin, para uma composição na chapa majoritária. As possibilidades são Josué Gomes, ex-presidente da Fiesp e filho do ex-vice-presidente José Alencar, e o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares. A convenção do PSB, realizada no domingo (2), terminou sem definições sobre o futuro do partido.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



