Conheça a carreira política de Rui Costa Pimenta, pré-candidato à presidência
O comunista afirma que quer abrir espaço para o debate sobre socialismo, direitos trabalhistas e participação popular

O presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, é pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. Essa é a primeira vez que o partido lança candidato ao cargo desde 2014.
Jornalista, escritor e dirigente trotskista, o paulistano chega à disputa com quatro décadas de militância e uma candidatura que, por definição própria, não mira o Planalto, mas as ruas.
O pré-candidato às eleições é jornalista há 45 anos, tendo atuado inicialmente em agências públicas e sindicatos antes de se dedicar à imprensa do PCO. Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), mas após divergências políticas seguiu carreira em partidos de extrema-esquerda.

Esteve filiado ao PT de 1980 a 1995, quando fundou o PCO e assumiu a presidência nacional da legenda, cargo que ocupa até hoje. Com 40 anos de militância, Rui Costa Pimenta define o PCO como um partido comunista de orientação trotskista, inspirado na tradição política do trotskismo, corrente do marxismo associada ao revolucionário russo Léon Trotsky.
"O nosso objetivo central é a construção de um partido revolucionário e a luta pela revolução proletária e socialista no Brasil", afirma.
Candidatura como propaganda política
A 38ª Conferência Nacional do PCO, realizada em fevereiro deste ano, decidiu por unanimidade lançar candidatura própria à Presidência nas eleições de 2026 e indicar Rui Costa Pimenta para o posto, ocasião em que também foi indicado Antônio Carlos Silva como pré-candidato a vice-presidente.
“A minha candidatura é um esforço de propaganda política. Eu acho que é importante aproveitar as eleições para abrir um debate mais estratégico sobre o Brasil”, declarou Rui em entrevista.
Para o dirigente, a disputa presidencial também é uma oportunidade de questionar o modelo adotado pelos governos do PT nas últimas décadas. Embora reconheça avanços em políticas sociais, Rui avalia que a estratégia petista não enfrentou as causas estruturais dos problemas brasileiros e se mostrou incapaz de promover transformações mais profundas na economia e na organização política do país.
E foi além ao avaliar que o PCO não tem peso eleitoral suficiente para desequilibrar a disputa e que sua principal crítica ao PT não se concentra em detalhes, mas no método político adotado pelo partido. "O método utilizado pelo governo Lula, pelo PT, não dá resultado no que diz respeito a transformações reais da realidade brasileira", declarou.

Bandeiras para as eleições de 2026
Autor de vários livros sobre política brasileira e internacional, assim como sobre arte e teoria marxista, Rui Costa Pimenta é particularmente conhecido pelos programas que apresenta na Causa Operária TV, plataforma que o partido usa para ampliar sua voz para além dos limites eleitorais.
Suas principais defesas são o acesso livre às universidades públicas, sem vestibular, a revisão da política de dívida pública e a ampliação do controle estatal sobre setores estratégicos da economia. O pré-candidato às eleições de 2026 também propõe a reversão de privatizações, critica concessões à iniciativa privada e apoia a recuperação de direitos trabalhistas, com medidas como o combate à terceirização, a valorização dos salários e o fortalecimento da proteção aos trabalhadores.
Sem representação no Congresso Nacional e com pouco mais de 6 mil filiados registrados junto à Justiça Eleitoral, o PCO figura entre as menores legendas do sistema partidário brasileiro.
Uma esquerda crítica aos julgamentos do 8 de Janeiro
Uma das marcas que distingue Rui Costa Pimenta de outros candidatos do campo da esquerda é a postura do PCO em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em live realizada em setembro de 2023, Rui chamou de "totalmente absurdo" o julgamento dos primeiros casos de extremistas presentes no 8 de janeiro no STF. Para ele, não houve tentativa de golpe de Estado por parte dos acusados, apenas o que ele definiu como "um ato político".
A justificativa recorreu à sua própria trajetória de militante. "Invadir prédio público não é golpe de Estado e nem terrorismo, a não ser que invada com uma força poderosa armada", disse, acrescentando que, ao longo da vida, já participou diversas vezes de ações que invadiram prédios públicos, sem que medidas nas proporções vistas agora tivessem sido tomadas.
Rui também fez distinção entre intenção e execução. "Se você faz uma manifestação desarmado, não é um golpe de Estado, mas um ato político. Pode ser um ato com objetivos muito ruins, mas, se formos defender atos políticos apenas com objetivos com os quais a gente concorda, não tem ato político", pontua.
Não é a primeira vez que o PCO enfrenta tensão com o Supremo. Em junho de 2022, o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de inquérito contra o partido e mandou bloquear seus perfis nas redes sociais, após publicação em que o PCO chamou o ministro de "skinhead de toga" e pediu a "dissolução do STF".
Lula, PT e o segundo turno
Sobre o segundo turno, caso a disputa seja entre o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e outro candidato, Rui disse que o voto do PCO "possivelmente" será em Lula, mas que a decisão será discutida pelo partido.
Apesar disso, o dirigente argumenta que o ciclo político iniciado pelo PT em 2002 demonstrou limitações e que a esquerda brasileira precisa debater alternativas capazes de promover mudanças estruturais mais profundas. Ainda assim, pondera que uma eventual posição do PCO em um segundo turno dependerá da conjuntura eleitoral e da avaliação coletiva do partido.


