Belo Horizonte
Itatiaia

Conheça a carreira política de Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do RJ

Presidência da Alerj entra na disputa pelo Palácio Guanabara com foco em segurança pública

Por
Douglas Ruas é um homem branco de cabelo raspado. Veste terno preto com camisa branca e gravata azul clara. No fundo, parede de madeira com bandeira do Brasil e do Rio.
Douglas Ruas deixou a Secretaria das Cidades para disputar o Governo do Rio • undefined

Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ex-secretário estadual das Cidades e deputado estadual em primeiro mandato, Douglas Ruas (PL) é o nome escolhido pelo partido para disputar o governo do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. 

Apoiado pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), ele tenta se apresentar como uma alternativa ao grupo político liderado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Embora ainda seja pouco conhecido em parte do estado, Ruas aposta na experiência à frente da Secretaria das Cidades e no discurso de fortalecimento dos municípios para ampliar sua presença eleitoral.

O pré-candidato aceitou disputar o Palácio Guanabara após convite do partido por considerar necessário apresentar aos eleitores um projeto político diferente daquele apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).  

Natural de São Gonçalo e filho do prefeito Capitão Nelson (PL), Douglas Ruas construiu sua trajetória política na região metropolitana do Rio. Ele foi eleito deputado estadual em 2022 e, pouco depois, assumiu a Secretaria Estadual das Cidades, pasta criada para ampliar os investimentos em infraestrutura nos municípios fluminenses.  

Pré-candidato ao governo do Rio é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL) • Divulgação/Douglas Ruas
Pré-candidato ao governo do Rio é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL) • Divulgação/Douglas Ruas

A aposta do PL para suceder o grupo de Paes

A Secretaria das Cidades foi marcada em seu comando pelo programa Governo Presente nas Cidades, voltado ao financiamento de obras municipais. O pré-candidato afirma que a pasta destinou mais de R$ 2 bilhões em investimentos para 73 dos 92 municípios do estado durante os dois anos e meio em que permaneceu no cargo.  

Após deixar a secretaria para cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela Justiça Eleitoral, retornou à Assembleia Legislativa, onde assumiu a presidência da Casa. Desde então, está sempre em discussões provocadas pela crise institucional vivida pelo governo do estado após a dupla vacância dos cargos de governador e vice-governador.  

Douglas Ruas defende a realização de eleições diretas para escolher um novo governador e critica a manutenção de um governo interino. Apenas o voto popular, em sua visão, é capaz de conferir legitimidade para decisões estruturais na administração estadual.

Ruas se considera o principal adversário do prefeito da capital. Ele procura explorar o contraste entre sua trajetória recente e a experiência política do prefeito da capital.

Ao comentar as pesquisas eleitorais, nas quais aparece atrás de Paes, afirmou não ver motivo para preocupação neste momento da campanha. O baixo índice de conhecimento do seu nome ainda não reflete o potencial eleitoral que acredita possuir. O pré-candidato ao governo do Rio aposta no horário eleitoral, nas entrevistas e nos eventos de campanha para se tornar mais conhecido pelos eleitores fluminenses.  

O que Douglas Ruas defende para o estado

A segurança pública está no centro das propostas para os candidatos ao governo do Rio de Janeiro. Para Douglas Ruas, não é diferente. A continuidade das operações policiais em áreas dominadas por facções criminosas é importante, segundo Ruas, para que ações, como a Operação Contenção, possam cumprir mandados de prisão e restabelecer a presença do Estado em territórios controlados pelo crime organizado. 

A atuação policial deve ocorrer, para Ruas, com superioridade operacional para garantir a segurança dos agentes e da população. Mas sustenta que apenas operações pontuais não resolvem o problema da violência. O pré-candidato reitera que é preciso garantir a presença permanente do Estado nas comunidades. 

Isso aconteceria através de policiamento ostensivo, serviços de emergência e políticas públicas voltadas para a redução da influência das facções criminosas sobre a população local.

Também está na defesa a redução da maioridade penal. Ruas diz que as organizações criminosas utilizam adolescentes em atividades ilegais porque a legislação atual oferece menos riscos às facções. Portanto, em sua avaliação, a mudança ajudaria a dificultar o recrutamento de jovens pelo crime organizado.  

Outra proposta é ampliar o modelo de escolas cívico-militares. Ele relaciona os baixos indicadores educacionais do estado aos problemas de segurança pública e afirma que unidades desse modelo apresentam desempenho superior à média nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).  

Douglas Ruas apoia a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Ele pontua que as facções já possuem atuação internacional, movimentam recursos fora do Brasil e controlam territórios urbanos por meio da violência e da exploração econômica da população. 

O enquadramento, na visão do pré-candidato, permitiria ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado e facilitar medidas como bloqueio de bens, rastreamento financeiro e prisão de colaboradores dessas organizações em outros países.  

Ao defender a medida, Ruas criticou a posição do governo federal sobre o tema e afirmou que as facções impõem um regime de terror a moradores de comunidades dominadas pelo crime.  

Ajuste fiscal e redução da máquina pública

Na área administrativa, Douglas Ruas se define como defensor do Estado mínimo e do controle dos gastos públicos. À frente da Alerj, criou uma comissão especial para analisar a evolução das despesas estaduais e investigar as causas do déficit previsto para os próximos anos. 

O parlamentar argumenta que a arrecadação do estado cresceu nos últimos anos, mas as despesas avançaram em ritmo superior, comprometendo o equilíbrio fiscal. Por isso, promete adotar medidas de redução do custeio da máquina pública e direcionar mais recursos para investimentos em infraestrutura e serviços essenciais caso seja eleito governador.  

Por

Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.