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Conheça a carreira política de André Marinho, pré-candidato ao governo do RJ

Ex-integrante do programa Pânico, André Marinho tenta transformar a popularidade das sátiras políticas em candidatura ao governo fluminense

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André Marinho é um homem branco com cabelos escuros. Veste camisa branca.
Pré-candidato ficou conhecido nacionalmente pelas imitações de Jair Bolsonaro e agora busca seu primeiro cargo eletivo • undefined

Humorista, apresentador e conhecido pelas sátiras políticas que fez na televisão e nas redes sociais, André Marinho (Novo) tenta transformar o discurso de renovação da direita em uma candidatura ao governo do Rio de Janeiro. Ele disputa pela primeira vez um cargo eletivo aos 31 anos e se apresenta como uma alternativa aos grupos políticos que dominam o estado nas últimas décadas.

"Eu vi o poder de perto desde muito cedo. Eu fui forjado nos salões do poder, vendo a coreografia, as máscaras e fiquei conhecido exatamente por ridicularizar o poder porque vi de perto quem eles são”, contou o pré-candidato ao falar sobre sua pré-candidatura. 

Sua pré-candidatura foi lançada oficialmente em maio deste ano, em evento que contou com a presença do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência pelo mesmo partido. Será sua primeira disputa eleitoral.

André Marinho (Novo) e Romeu Zema (Novo) em evento de divulgação da pré-candidatura • Reprodução/André Marinho
André Marinho (Novo) e Romeu Zema (Novo) em evento de divulgação da pré-candidatura • Reprodução/André Marinho

André Marinho construiu sua carreira na comunicação, com passagens pela Jovem Pan, onde integrou a bancada do programa Pânico de agosto de 2019 até novembro de 2021, com um bloco voltado ao jornalismo humorístico. Posteriormente, retornou à emissora em 2024 para comandar o Morning Show. 

Além da carreira na mídia, estudou Ciência Política na New York University, se formou em Direito pela Damásio e foi presidente-fundador da unidade carioca do LIDE Futuro, movimento empresarial jovem. 

Seu nome ganhou projeção nacional por uma especialidade incomum no mundo político. Foram em sátiras políticas que ficou marcado pelo apelido de “tradutor” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cuja imitação se tornou sua marca registrada. O apelido, no entanto, carrega uma história mais complexa do que parece.

Do "tradutor de Bolsonaro" ao rompimento político

André é filho do empresário Paulo Marinho, que cedeu sua residência no Jardim Botânico como QG da campanha presidencial de Bolsonaro em 2018. Lá foram gravados os programas eleitorais e realizada a primeira reunião formal de transição após a vitória de Bolsonaro nas urnas. 

A relação com a família Bolsonaro, no entanto, se deteriorou depois. Paulo rompeu com a família, chegou a apoiar o presidente Lula em 2022 e, mais recentemente, consolidou uma reaproximação. Hoje é suplente do senador Flávio Bolsonaro no Senado.

O filho seguiu caminho parecido. Em novembro de 2021, após uma discussão ao vivo com o então presidente Jair Bolsonaro no Pânico, André pediu demissão do programa. Chegou a ser muito crítico dos Bolsonaro e os acusou de deixar de lado ideais por uma agenda de "culto à personalidade". 

Mas ao declarar apoio à pré-candidatura de Flávio à Presidência, André explicou: "Embora os ecos do passado ainda existam, foi o próprio Flávio quem, há dois anos, nos procurou para distensionar os ruídos e virar aquela página".  

André é filho de Paulo Marinho, empresário que cedeu sua casa como quartel-general da campanha de Bolsonaro em 2018 • Reprodução/Redes Sociais
André é filho de Paulo Marinho, empresário que cedeu sua casa como quartel-general da campanha de Bolsonaro em 2018 • Reprodução/Redes Sociais

Marinho aposta na segurança para chegar ao Palácio Guanabara 

É na segurança pública que Marinho concentra sua principal aposta para o Governo do Rio de Janeiro. O pré-candidato apresenta um plano estruturado em cinco eixos, sendo eles controle de fronteiras, recuperação territorial, asfixia financeira do crime organizado, expansão do sistema prisional e valorização das forças policiais.

No controle de fronteiras, defende o uso de satélites em parceria com a Starlink e a instalação de pórticos de reconhecimento facial na Rodovia Dutra. "Minha obsessão é criar o que vou chamar de perímetros de ferro em torno dos 92 municípios", afirmou. 

Para a recuperação territorial, invoca o modelo das "zonas verdes" aplicado durante a guerra do Iraque e a teoria das janelas quebradas adotada em Nova York nos anos 1990, com a ressalva de que a permanência do Estado nos territórios liberados precisa ser garantida, o que, segundo ele, foi o principal fracasso do modelo UPP.

Propõe também replicar no Rio o modelo de parceria público-privada implementado em Ribeirão das Neves, Minas Gerais, para o sistema prisional em busca de suprir um déficit estimado de 20 mil vagas. 

O pré-candidato tem a intenção de retornar com a secretaria de vitimados, descontinuada no governo Cláudio Castro (PL), e com acompanhamento psicológico permanente para os agentes, afirmando "Você não tem noção de quanto a escalada de suicídios tem acontecido e como a saúde mental dos nossos policiais está completamente arrebentada."

Mas, o ponto mais polêmico do plano é a classificação do Comando Vermelho como organização terrorista. A medida, segundo André Marinho, avançou por meio de reunião com o vice-presidente americano Jared Evans. 

Afirmou ainda que conexões com o secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., sogro de sua irmã, a cantora Giulia Be, abriram portas para articulações com o Departamento de Estado e gigantes de tecnologia interessadas em projetos de inteligência operacional para as forças de segurança fluminenses.

“Esse projeto virou folclore" 

Sobre o sistema aquaviário no lugar da Linha 3 do metrô, descartou a promessa mais recorrente da política fluminense. "Está mais fácil ver isso lá no inferno do que ver a Linha 3 do metrô sair”, afirma o pré-candidato. No lugar, propõe apostar no sistema aquaviário de balsas para integrar Itaboraí, São Gonçalo, Niterói e Rio de Janeiro. Alternativa que, segundo estudo do Consórcio de Transportes do Rio, seria mais econômica e rápida de implementar do que novas linhas de metrô. 

Defende ainda financiamento via Development Finance Corporation (DFC) e Export Import Bank americanos, com os quais afirma ter conversas avançadas.

André Marinho é aposta do Novo no Rio

O Novo aposta na visibilidade conquistada por André Marinho nas redes sociais e na comunicação para ampliar seu espaço na disputa pelo governo fluminense. A mesma fórmula que o partido já tentou explorar em outros pleitos. 

O próprio Marinho reconhece as dificuldades, partido pequeno, pouco fundo eleitoral, poucos aliados, mas não recua. "Um apoiador em Volta Redonda me disse que eu seria o Davi contra dois goleiros anabolizados, com todo tipo de dinheiro público, dinheiro por fora, dinheiro por dentro. Eu prefiro assim. Não há nada mais forte do que uma mensagem cujo tempo chegou." 

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Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.