Caiado diz que Milei 'baixou o nível' de convenção de Flávio Bolsonaro
Presidenciável do PSD afirma que participação do argentino esvaziou discussão sobre o Brasil

O pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, usou nesta quarta-feira (29) a convenção que lançou Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto para reforçar sua tentativa de se diferenciar tanto do bolsonarismo quanto do governo Lula. Ao comentar o evento realizado no último fim de semana, o governador de Goiás afirmou que o candidato do PL "perdeu para um avatar e para a Argentina", numa referência ao vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial e ao discurso do presidente argentino, Javier Milei.
"Vocês definiram muito bem. O candidato perdeu para uma Argentina e perdeu para um avatar. Ali não tinha a presença do candidato, não tinha propostas", afirmou Caiado, após reunião com representantes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e da Associação Nacional de Jornais (ANJ), em Brasília.
Segundo o ex-governador, a convenção deixou de discutir temas centrais da campanha presidencial para concentrar atenções no embate entre Lula e Milei e na participação virtual de Bolsonaro. "Nós queremos saber o que pensa o candidato Flávio, não o seu pai, por meio da inteligência artificial", disse. "Foi uma convenção pobre, onde não foram apresentados projetos nem propostas para o Brasil."
Caiado também criticou a participação de Milei no evento e afirmou que o presidente argentino foi utilizado para alimentar uma disputa política que, na avaliação dele, não interessa ao eleitor brasileiro.
"Ele traz um presidente de outro país, com quem o Brasil mantém uma relação importante, para fazer um bate-boca com o atual governo. O governo cai na armadilha, baixa o nível do debate e nada contribui para que a sociedade discuta propostas", afirmou.
Na avaliação do governador, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro estariam interessados em deslocar o foco da campanha.
"Esse impasse mostra que os candidatos querem desviar o foco da campanha eleitoral. Eles não querem debater os grandes temas que estão asfixiando a população brasileira, como o endividamento, a corrupção, o avanço do narcotráfico e a economia", disse.
Durante a entrevista, Caiado voltou a defender que a disputa presidencial seja pautada por propostas e afirmou que pretende apresentar seu plano de governo por áreas temáticas ao longo da campanha.
Inteligência artificial
Ao falar sobre o uso de inteligência artificial nas eleições, Caiado disse que cumprirá as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral, mas criticou o projeto de regulamentação defendido pelo governo federal. Segundo ele, o texto pode inibir investimentos e atrasar o desenvolvimento da tecnologia no país.
"O Brasil não pode escrever um marco regulatório para impedir que o país avance em inteligência artificial. O que precisa ser punido é o mau uso da tecnologia, e não a inovação", afirmou.
O governador também defendeu a proteção dos direitos autorais na utilização de conteúdos por sistemas de inteligência artificial e citou iniciativas desenvolvidas em Goiás como modelo para uma legislação nacional.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



