'Candidata deep web', 'fujão' e pergunta a ausente: debate da Rede Minas tem ataques entre candidatos
Segundo debate entre candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte teve ausência de três: Fuad Noman (PSD), Carlos Viana (Podemos) e Mauro Tramonte (Republicanos)

O segundo debate entre candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte nesta campanha eleitoral, realizado na noite desta terça-feira (3) pela Rede Minas e a Rádio Inconfidência foi marcado por ataques entre os adversários. Seja no antagonismo entre PT e PL ou mesmo com "tiradas" entre os postulantes ao cargo de prefeito da capital mineira, o debate esquentou, tanto no bloco em que houve perguntas entre os adversários e mesmo nas considerações finais.
'Candidata deep web'
No primeiro bloco, o primeiro enfrentamento foi entre o deputado estadual Bruno Engler (PL) e a ativista Indira Xavier (UP). A candidata da Unidade Popular citou o aumento nos índices de violência contra as mulheres e questionou o adversário sobre o PL do Nascituro, que equipara o aborto após 22 semanas ao crime de homicídio.
"Infelizmente, seu chefe que governou o país por 4 anos armou a população e não deixou nossas vidas mais seguras. Vocês defendem estuprador e votaram no PL 1904 que coloca meninas e adolescentes na cadeia. Nós atuamos no enfrentamento à violência contra mulheres", disse Indira.
Bruno Engler respondeu, chamando a adversária de "candidata deep web".
"Convida candidata deep web, vai ter resposta deep web também. O PL 1409 é de defesa da vida do nascituro. O meu lado é muito claro, de quem defende a segurança pública e que não passa pano para estuprador e qualquer tipo de criminoso", afirmou.
Lula e Bolsonaro são citados no debate
Por duas vezes, Gabriel Azevedo (MDB) chamou Rogério Correia (PT) e Bruno Engler (PL) de "puxa-sacos" de Lula e Bolsonaro, respectivamente. Ambos rebateram:
"Tem candidato que era puxa-saco do Aécio Neves, agora é puxa-saco do Newton Cardoso. E diz que não tem quem o apoie. Eu tenho", disse o petista.
"Eu tenho um orgulho enorme de fazer parte do grupo político do Bolsonaro e dizer que tem gente que não tem padrinho não é por independência, é porque não tem quem queira apadrinhar. Fica essa dor de cotovelo", responder o bolsonarista.
Os representantes de PT e PL na disputa eleitoral na capital mineira também entraram em debate, com acusações mútuas e trazendo ao debate os nomes dos seus padrinhos políticos: o presidente Lula e o ex-presidente Bolsonaro.
“Você é candidato do PT, do Lula, que fala que o ladrão de celular é um pobre coitado e que faz isso só para tomar uma cervejinha e que não deveria ser vitimizado pela sociedade. Com que moral você quer convencer o cidadão belo-horizontino que à frente do poder municipal vai ter um posicionamento firme junto da nossa Guarda para o combate a criminosos?”, questionou.
O petista ironizou o adversário e criticou as medidas adotadas por Bolsonaro, aliado de Engler, no combate à criminalidade.
Declaração de bens
Logo no início do debate, Engler e a candidata Duda Salabert (PDT) trocaram farpas após uma pergunta do candidato do PL sobre sua declaração de bens enviada à Justiça Eleitoral. Em um primeiro momento, a pedetista disse que não tinha patrimônio a declarar mas, nessa semana, fez uma retificação e declarou R$ 22 mil em bens.
“Como convencer que sua gestão terá transparência se você não declarou patrimônio sendo professora e após dois anos como vereadora em Belo Horizonte e mais dois anos como deputada federal?”, questionou o candidato do PL.

Duda respondeu dizendo que foi professora durante toda a carreira e que vive no mesmo bairro em Belo Horizonte há oito anos e que ajuda familiares e projetos sociais.
"Tenho dívidas de campanhas anteriores que estamos pagando e fizemos retificação para declarar o valor que tinha na conta bancária. Não tenho vergonha disso e ninguém vira professor para ficar rico”, respondeu.
Críticas aos candidatos ausentes
Em duas horas de debate, sobraram críticas também aos três candidatos que não compareceram ao encontro: o atual prefeito, Fuad Noman (PSD), o senador Carlos Viana (Podemos) e o deputado estadual Mauro Tramonte (Republicanos).
“Vimos aqui um prefeito que não compareceu porque tem compromisso com os bilionários e vai ter assessoria, agora, da irmã do Aécio Neves. Temos o Viana, que quer fazer uma higienização da cidade e o Mauro Tramonte que é outro, refém do governador Zema e vai aplicar uma medida drástica para os servidores públicos”, disse Wanderson Rocha (PSTU) em suas considerações finais.
Gabriel Azevedo foi além. Além de mencionar a ausência dos três por diversas vezes ao longo do debate, ainda questionou o "candidato ausente" Fuad Noman, citando o envolvimento dele com supostas irregularidades em contratos com ônibus.
“Candidato ausente, Fuad Noman: porque é que o Ministério Público de Contas, órgão respeitado, disse ao senhor, quando era secretário de Transportes do Aécio Neves, em 2006, criou um contrato de ônibus metropolitano que foi o laboratório da corrupção para o contrato de ônibus de 2008, feito pelo PT em Belo Horizonte?”, questionou Gabriel.
Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.



