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Durigan diz que Brasil não deve agir em 'vassalagem' com os EUA após medida contra PCC e CV

Segundo Durigan, eventual ampliação das medidas pode atingir instituições financeiras brasileiras e aumentar custos para a economia

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Dario Durigan, novo ministro da Fazenda • Washington Costa/MF

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que o Brasil não deve assumir uma posição de "vassalagem" diante dos Estados Unidos após a decisão do governo norte-americano de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi dada por conta dos possíveis impactos da medida para o sistema financeiro brasileiro. Segundo o ministro, caberia ao governo dos Estados Unidos comunicar formalmente o Brasil sobre a decisão, mas isso não ocorreu.

Apesar da crítica, Durigan ressaltou que o governo brasileiro continua aberto ao diálogo e mantém contato com autoridades norte-americanas para esclarecer os desdobramentos da medida: "Eu estou sempre aberto e tenho contato direto com as autoridades norte-americanas, mas por enquanto não. Estou reunindo as informações, vendo o que fica pela frente, avaliando os próximos passos", afirmou.

Possíveis reflexos na economia

De acordo com o ministro, a principal preocupação do governo é evitar que a classificação das facções produza efeitos indiretos sobre instituições financeiras brasileiras. Durigan alertou que, dependendo da forma como a medida for aplicada pelos Estados Unidos, bancos e empresas nacionais podem ser alvo de restrições ou sanções financeiras, mesmo sem envolvimento com atividades criminosas: "Uma das principais preocupações é o quanto de discricionariedade isso vai abrir, tornando empresas brasileiras e bancos brasileiros alvo de algo que não é concreto, que não é uma realidade concreta", disse.

O ministro também mencionou a possibilidade de impactos em serviços financeiros amplamente utilizados pela população, como o Pix. Segundo ele, em um cenário mais extremo, instituições eventualmente atingidas por sanções poderiam enfrentar limitações operacionais, elevando custos e afetando a prestação de serviços: "Seguir combatendo as organizações criminosas, que está sendo insistido nesse ponto, e evitar um prejuízo irreal, fantasioso para a nossa economia. Nós temos que evitar isso a todo custo. É uma grande injustiça", acrescentou.

Governo aposta na diplomacia

Durigan afirmou que o governo federal trabalha para impedir que a medida americana provoque consequências econômicas ao Brasil e reforçou que o país continuará utilizando os canais diplomáticos para tratar do assunto. A estratégia, segundo ele, é garantir que o combate ao crime organizado seja mantido sem gerar prejuízos para empresas, bancos e cidadãos brasileiros.

A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos na última semana e gerou críticas dentro do governo brasileiro, que considera a decisão unilateral e teme seus efeitos sobre as relações financeiras e comerciais entre os dois países.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.